A Universidade Estadual de Londrina (UEL), segundo o site da instituição, está entre as 30 melhores do País e 50 da América Latina e entre as mil melhores do mundo (das 10 mil existentes).
Tenho acompanhado de perto o nascimento e trajetória da nossa Universidade, desde o desenvolvimento e implantação do "plano piloto" do Campus Universitário (inicialmente com o Centro de Ciências Biológicas, projetado na década de 1960 pelo arquiteto Sérgio Bopp de quem fui desenhista), tendo como primeiro reitor o dr. Ascêncio Garcia Lopes. Com muito orgulho foi aluno e tenho razões de sobra e afetivas de sentir pela UEL a maior consideração e respeito, assim como acredito milhares de ex-alunos e professores de Londrina e região.
A nossa Universidade começou a funcionar em 1970 com 13 cursos e foi reconhecida em 1975 como FUEL. A instauração da gratuidade em 1984 me pareceu, com o devido respeito, uma decisão política utópica. No seu início, a UEL era paga (pelo menos parcialmente, havendo financiamento e bolsa de estudos para os mais carentes), a exemplo do que ocorre no nos Estados Unidos, dentre outros países prósperos que buscam a sustentabilidade perene e modernização dessas importantíssimas instituições para uma sociedade, acreditando que se deveria priorizar-se a gratuidade para o ensino básico e algumas pesquisas universitárias que justifiquem a tal medida. Em 1991, a UEL se transformou em autarquia estadual.
Federalizar? Não me parece, salvo melhor juízo, a melhor solução, frente ao cenário do País. O que fazer então?
Em meu modesto ponto de vista, antes de tudo se deveria usar de bom senso e equilíbrio e deixar de lado ideologias políticas e imediatistas, bem como paixões e melindres. E, assim, procurar de forma pragmática e racional (como fazem as empresas e mesmo países frente às crises) buscar-se com serenidade e isenção quem tem o conhecimento, propriedade e autoridade para tal empreitada (não só no mundo acadêmico, como empresarial para onde se destinam grande parte dos formandos). Nesse contexto, deveriam ser ouvidos em adequado fórum de debates os onze reitores da UEL, as entidades de classe interessadas, a sociedade organizada, o corpo docente que ensina planejamento estratégico, dentre outros profissionais com indispensável neutralidade (que não façam parte do problema por estarem envolvidos emocionalmente). Ou seja, quem com competência e habilidade, sabe somar e contornar obstáculos, abrindo caminhos para as melhores práticas e soluções que, ao final, passarão por decisões políticas de alto nível.
Problemas semelhantes à UEL estão sendo enfrentados e estudados, ao que me consta, pelas três universidades estaduais paulistas - USP, Unicamp e Unesp. Sabemos que tais saídas não são fáceis, mas depender totalmente do governo em qualquer nível, nem sempre é um bom negócio a médio e longo prazos. Ou seja, deve-se abrir condições para exercitar o mais breve possível o lema da UEL: "Avaliando o ontem, trabalhando hoje, planejando o amanhã".

MÁRIO JORGE TAVARES é administrador de empresas em Londrina




■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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