UEL: cenário é de deterioração
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sábado, 27 de outubro de 2001
George Hiraiwa 
A manutenção do impasse entre o governo do Estado e os grevistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) representa, ao mesmo tempo, um grande problema e uma excelente oportunidade. Comecemos pelo primeiro item, exatamente o que mais preocupa.
A paralisação das atividades na UEL põe em risco o atendimento à saúde com a greve no Hospital Universitário (HU), os planos profissionais e de vida de muitos dos alunos devido ao risco de perda do ano letivo e ainda a cidade como um todo, já que um possível cancelamento do vestibular causaria prejuízos muito grandes a diversos segmentos da economia local.
Mais do que isso, a própria universidade vem sofrendo um perigoso desgaste, que se torna mais intenso a cada dia. Como integrante do Conselho Universitário da UEL, a ACIL considera gravíssima a atual situação.
O fechamento parcial do HU é muito sério. Não há argumentos para justificar o risco a que vem sendo submetida a população. Vidas podem ser perdidas. A sobrecarga nos demais hospitais públicos da cidade é uma bomba prestes a explodir. A vítima pode ser qualquer um de nós.
Outro drama é o possível comprometimento do ano letivo. Muitas vidas serão comprometidas se essa ameaça se concretizar. Alunos podem ter prejuízos irreparáveis, assim com suas famílias. Quanto ao cancelamento do vestibular, seria um prejuízo a mais para a economia de Londrina, já afetada pela sucessão de crises que vem castigando o País.
Não entramos no mérito dos pontos em negociação entre os grevistas e o governo do Estado. Essas questões demandam estudos aprofundados, que exigem tempo e aos quais nos propomos como integrantes do Conselho Universitário. A ACIL, porém, não pode e não quer ficar alheia num momento tão crucial e grave para a vida da comunidade. Um momento que impõe a ambos os lados - governo e grevistas - bom senso e flexibilidade na busca de uma solução.
Quando o cenário atinge tal grau de deterioração, é sinal de que todos erram. O governo do Estado assumiu a posição de se recusar a negociar e, argumentando que não atendeu as reivindicações de outras categorias, não abre mão. E, assim, dá as costas para o danos que uma paralisação como essa causa à sociedade - e não só aos professores e funcionários da universidade.
A mesma sociedade, aliás, que vem arcando com tarifas públicas e outros custos atrelados ao Estado sempre devidamente reajustados ao longo dos últimos anos com percentuais no mínimo iguais aos da inflação. São os cidadãos do Paraná que vêm fazendo sua contribuição sempre que passa por uma praça de pedágio, numa despesa que inexistia alguns anos atrás. A arrecadação tributária da União e do Estado também vem crescendo ano a ano. Ao governo, cabe urgentemente rever sua postura, revertendo sua imagem de insensibilidade.
O mesmo se espera dos grevistas, que ponderem sobre os reflexos da paralisação e que, em meio ao atual cenário, revejam o senso de corporativismo. No ''campo de batalha'' montado nas diversas mobilizações salariais, o Estado é o inimigo e a artilharia acaba sendo o ensino, que vem sendo sistematicamente sacrificado e desvalorizado. Ao final das batalhas, a UEL sempre perde, independente dos resultados. A estratégia, portanto, deve ser mudada. Há que se encontrar outros soldados, do contrário a guerra já estará perdida.
E é nesse contexto que vemos a grande oportunidade. A UEL é um grande patrimônio de Londrina e da região, além de uma base importante da economia e do desenvolvimento sustentado do Norte do Estado. O momento exige que a sociedade acorde para o valor da universidade e repense sua participação na instituição e faça sua parte na reversão do isolamento em que ela se jogou nas últimas décadas.
A comunidade precisa viver a realidade da UEL, seus problemas, suas decisões, necessidades e conquistas. Atualmente, apenas três das cerca de 70 cadeiras do Conselho Universitário são ocupadas por não integrantes do corpo docente, dos servidores e dos alunos - ACIL, Sociedade Rural do Paraná e Iapar. Uma participação maior de entidades e organizações, na nossa avaliação, é urgente, assim como uma profunda mudança em alguns dos fundamentos da estrutura interna da UEL, entre eles o processo eleitoral.
- GEORGE HIRAIWA é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL)


