A Universidade Estadual de Londrina (UEL) faz parte da vida de milhares de pessoas que lá estudam, trabalham e utilizam dos seus inúmeros serviços à comunidade. Podemos constatar que nesta instituição, por meio de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão muitos já foram e são formados e levam a partir disto o sobrenome UEL. Sobrenome que me enche de orgulho e gratidão na condição de egressa e professora e mais recentemente na posição de aposentada, com o olhar mais a distância, mas sempre ligada aos acontecimentos que ali emergem. Acompanhamos momento de crise, por isto de grande desafio, e acredito que o maior deles é unir forças em torno da defesa da UEL e o que de melhor ela promove – a educação de futuros profissionais para o nosso país.

A greve estudantil que estamos presenciando é um movimento que tem provocado divisão na comunidade universitária (entre alunos, docentes e funcionários) e que está embasado em propostas bastante genéricas, de contexto variado e portanto, de difícil solução. Talvez, o único ponto de convergência seja a preocupação com o futuro da educação em nosso país e, particularmente, em nossa Universidade. Existe um fato do qual não podemos fugir, que é a crise econômica pela qual passamos, fruto de más administrações federais, estaduais e até municipais das últimas décadas, sem falar dos problemas criminais que vêm sendo apurados, que atingem todos os setores, inclusive a educação. Temos que enfrentar nossos problemas dentro deste contexto.

Por isso, tenho me perguntado, será mesmo que não existe outra forma de manifestação, que agregue toda a comunidade universitária e mesmo a sociedade em prol da educação? Não é à toa que alguns grupos enxergam influência sindical e político-partidária no movimento estudantil. Greve é um instrumento legítimo de reivindicação da classe trabalhadora que produz riqueza diretamente e somente dá resultado quando causa prejuízo ao patrão, que se vê obrigado a negociar o quanto antes com os grevistas para não ter prejuízo. Não se aplica a este caso. Cada dia parado na UEL, significa investimento da educação desperdiçado, que não será reposto. Significa perda de tempo (muitas vezes irrecuperável) das pessoas que usam os serviços prestados pela UEL e mesmo da própria comunidade universitária que possui inúmeros alunos, docentes e funcionários envolvidos em atividades que não podem parar. Não será a reitora, ou o governador, ou o presidente quem vai pagar esta conta. Este prejuízo será pago por todos nós, a sociedade. Será que a Universidade como local próprio para o debate de ideias, para o desenvolvimento do conhecimento, não deveria ser um pouco mais criativa na defesa da educação? A última assembleia estudantil, que teve uma participação maior, mas não o suficiente para representar a vontade da classe, mostrou uma grande divisão, portanto, vai continuar o conflito entre os que querem estudar e trabalhar, com os que acham que parados vão ser atendidos em sua luta por uma educação melhor.

Mas o desafio deste momento deve ser transposto pelo envolvimento de todos! Que tal trocar a greve por um fórum permanente de debate, que se reuniria periodicamente com representantes dos estudantes, dos docentes, dos funcionários e da sociedade civil, para discutir exclusivamente o futuro da educação nos próximos anos? Deste fórum poderiam surgir propostas concretas a serem encaminhadas às devidas instâncias da própria Universidade, como também do poder Executivo, do Legislativo e até do Judiciário se for o caso.

O sobrenome que carregamos retrata os valores e princípios aprendidos em nossa família e o sobrenome UEL nos instiga a valorizar, respeitar e promover a transformação necessária. Unidos podemos construir e avançar, divididos a UEL e todos nós perdemos.

MARIA HELENA DANTAS DE MENEZES GUARIENTE é professora aposentada da Universidade Estadual de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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