UDR usa leilão para fazer ato político
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segunda-feira, 25 de novembro de 1996
Agência Estado, 
Candidato
O ex-presidente da UDR Ronaldo Caiado afirmou que a criação de milícias armadas significaria fazer o jogo dos invasores e defendeu uma ampla mobilização da categoria para eleger representantes em todas as regiões, nas eleições de 1988. Ele próprio confirmou que naquele pleito estará novamente disputando vaga na Câmara federal
O fortalecimento político dos produtores e a criação de milícias armadas para proteger as fazendas ameaçadas de invasões, foram os principais temas durante a solenidade que antecedeu o primeiro leilão da União Democrática Ruralista (UDR) do Pontal do Paranapanema, sábado, em Presidente Prudente. Foram comercializados mil bovinos, com renda total de R$ 187 mil com lances que, na média, alcançaram 30% acima dos valores de mercado.
O ex-presidente da entidade, Ronaldo Caiado, convidado especial para o evento, propôs a reativação da UDR a nível nacional e lembrou que a classe produtora tem que sair da posição de acuada e não pode mais se calar diante da perseguição de que tem sido vítima por parte dos atuais governantes. Ele não concorda com a tese defendida pela maioria de proteger com armas as propriedades: Isto seria o suicídio da entidade; temos que ser vitoriosos no campo das idéias, disse.
Lembrando que a UDR não é caudatária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Caiado afirmou que a criação de milícias armadas significaria fazer o jogo dos invasores e defendeu uma ampla mobilização da categoria para eleger representantes em todas as regiões, nas eleições de 1988. Ele próprio confirmou que será novamente candidato a deputado federal naquele pleito.
Na opinião do ex-presidente da UDR, o fortalecimento político permitirá que a classe defenda seus reais interesses. Tivemos importantes conquistas na Constituinte mas agora estamos sendo derrotados na normatização da Constituição, afirmou. Ele apelou ao atual presidente da UDR do Pontal, Roosevelt Roque dos Santos, para que inicie uma intensa campanha pela reorganização nacional da entidade. Temos que estar engajados em uma ampla campanha para as próximas eleições, afirmou ao mesmo tempo em que indicava Santos para presidir a UDR nacional.
Apesar da opinião de Caiado, a maioria dos produtores presentes ao leilão da UDR defendeu a criação de milícias armadas para proteger as propriedades. O ex-presidente da entidade e atual prefeito de São Sepé-RS, disse que graças à organização dos produtores, não existem mais fazendas invadidas em seu Estado. Não confiamos no governo e optamos por estabelecer nossos próprios meios de defesa, custe o que custar; aconselho a vocês para que façam o mesmo, afirmou.
O ex-presidente da UDR de Minas Gerais, Peter Nader, propôs que cada fazendeiro do Pontal forneça alguns homens para montar a milícia armada. Vocês conseguirão formar uma força de dois a três mil homens e poderão fechar o Pontal, disse.
Já o ex-presidente da UDR de Avaré, Gilberto Adrien, foi mais incisivo: quem não defende o que é seu não merece ter o que tem; se entrar alguém em sua fazenda, use o previsto em lei e meta-lhe bala. O advogado e pecuarista Antônio Ribas Paiva explicou que a legítima defesa da propriedade está prevista no código civil e acusou os acampamentos de sem-terra instalados às margens de rodovias de serem campos de guerrilha. O caminho é ir à Justiça com medidas cautelares para dissolver estes acampamentos, orientou.
Um reprodutor controlado, doado pela Irapuru Nelore, foi arrematado quatro vezes durante o primeiro leilão promovido pela UDR do Pontal do Paranapanema alcançando preço total de R$ 6.500,00, cinco vezes mais que seu valor real. Empolgados com a necessidade de fortalecimento da entidade, os pecuaristas acabaram gastando R$ 187.300,00 na compra de mil animais doados, optando muitas vezes por reveter à própria UDR os bens arrematados.
Foram mais de quatro horas de vendas sucessivas, o que prolongou a festa da UDR, iniciada às 11 horas, com discursos e homenagens, por toda a tarde e início da noite de sábado. Cerca de mil pessoas estavam presentes, entre elas ex-presidentes da UDR de dez cidades e estados.
Realizado no Rancho Quarto de Milha, em Presidente Prudente, o leilão foi considerado a primeira grande manifestação de força da recém-reativada UDR do Pontal. Os representantes da UDR de São Sepé-RS doaram um apero completo, feito à mão, que acabou sendo vendido por R$ 3 mil. Até cem quilos de peixes oferecidos por um piscicultor foram rematados por R$ 350,00.
Para o presidente provisório da UDR, Roosevelt Roque dos Santos, o leilão alcançou os objetivos de promover a união da classe. Ele anunciou o segundo leilão, com 500 animais doados pelos pecuaristas de Mato Grosso do Sul, no dia 7 de dezembro, em Bataguassu-MS.


