Como estudante do último ano do curso de Engenharia de Telecomunicações, fico entusiasmado quanto às novas descobertas e conhecimentos científicos adquiridos ao longo do curso, principalmente se esta originar de uma das figuras mais inteligentes que o nosso Sercomtel já possuiu. Estou falando do colega engenheiro Mário Jorge O. Tavares que, ao final de uma aula, me inspirou a escrever neste espaço para compartilhar com os leitores sobre à TV do Século XXI. Afinal de contas, todos assistimos ao futebol de domingo e não sabemos sequer qual é o padrão de televisão adotado pelo Brasil.
A transição do preto e branco para a TV em cores ocorreu com o objetivo de permitir que os receptores monocromáticos fossem compatíveis com as transmissões em cores, e os TVs em cores reproduzissem com qualidade as cores além do preto e branco. Então o Brasil adotou o padrão PAL versão M, denominado padrão PAL-M. Em 19 de fevereiro de 1972 foi efetuado o primeiro teste oficial em transmissão nacional de TV em cores, através da TV Difusora de Porto Alegre canal 10, focalizando a abertura da XII Festa da Uva em Caxias do Sul (RS) , utilizando o sistema PAL-M. Mas existem no mundo três padrões de TV em cores: O NTSC National Television System Committe; o PAL Phase Alternation Line e o SECAM Séquential Couleur à Mémoire.
Graças ao avanço da tecnologia digital (transmissão e modulação) e considerando as modernas técnicas de compressão de áudio e vídeo, foram desenvolvidos padrões de radiodifusão de TV digital DTV (Digital Television) pelos EUA (padrão ATSC), Europa (padrão DVB-T) e Japão (padrão ISDB-T). Atualmente está havendo uma grande disputa no mundo entre estes padrões na busca da supremacia mundial da utilização dos mesmos.
A TV digital do século XXI irá oferecer displays planos de gás plasma e cristal líquido, imagem de alta definição (equivalente aos monitores super VGA), som em alta fidelidade (Hi-Fi), e até a integração de serviços de transmissão de dados e outras aplicações multimídia, incluindo Internet de alta velocidade, telefonia, etc. Para o acompanhamento e análise de todas as experiências realizadas com cada sistema bem como do impacto econômico-financeiro de sua implementação e na elaboração da regulamentação da TV digital, a Anatel conta com os serviços da Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Telecomunicações (CPqD) de Campinas.
O prazo final no Brasil, para a migração do sistema analógico para o digital, deverá ocorrer após grande parte da população já dispor de tal tecnologia. Nesse período de transição, as emissoras continuarão com o canal analógico e a Anatel definirá um novo canal de radiofrequência para a transmissão de TV digital. Assim , haverá uma migração progressiva das transmissões analógicas das emissoras de TV para digitais (como aconteceu das transmissões monocromáticas para em cores). Os sinais DTV também serão transmitidos não só por TV aberta (TVA), como também, via cabo (TVC) e satélite (DTH - Direct to Home).
Para atender tal tecnologia, se fará necessária a atualização de cursos (de escolas de engenharia e técnicas, por correspondência, por parte dos fabricantes com as assistências técnicas autorizadas, etc.), publicação de livros e revistas técnicas sobre o assunto, criando interessantes oportunidades para quem estiver preparado.
FÁBIO RODRIGO MILANEZ é estudante de Engenharia de Telecomunicações em Cornélio Procópio

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