A criação da TV da Câmara Municipal de Londrina é fruto de uma conjunção de fatores espelhados nas instituições públicas Brasil afora. Ocorre que aqui, em terras tupiniquins, as verbas para as o custeio dos parlamentos e do judiciário são de um "orçamento suíço", enquanto que para o atendimento à população são de um orçamento de países de "terceiro mundo".

No caso específico do nosso legislativo municipal, o orçamento previsto para 2025 é R$ 59 milhões, o que corresponde ao percentual de 1,7% do orçamento do município, que gira em torno de R$ 3,5 bilhões anuais. Ao longo do tempo, já ficou bem evidenciado que esse percentual é superdimensionado, todavia, é um procedimento constitucional que precisa ser cumprido. Prova disso, são as tradicionais devoluções que os presidentes da Câmara da cidade sempre fizeram à prefeitura no final de cada exercício. Quem não se lembra daqueles "cheques publicitários", propagandeando a devolução do dinheiro "economizado"?

Então, a nossa Câmara tem à sua disposição R$ 4,9 milhões por mês para gastar. Assim, cada vereador custa aos munícipes em torno de R$ 260 mil mensais. É claro que é uma verba polpuda e é preciso muito esforço para gastá-la totalmente. Regularmente, atendendo todas as necessidades do legislativo municipal, tem sobrado dinheiro, tanto é que foi gasto R$ 16,5 milhões na reforma do prédio, foram contratados 11 veículos novos para atender os vereadores e, mesmo assim, está sobrando dinheiro.

Parece que o atual presidente do nosso Legislativo, que remonta o 2° mandato, pensa um pouco diferente; quer gastar toda a verba destinada. Em outras oportunidades, ele tem dado mostras ser simpático à linha de conduta e aos pensamentos megalomaníacos da maioria dos dirigentes dos parlamentos brasileiros, especialmente das instituições sediadas em Brasília. Mais de uma vez ele já tentou aumentar o número de vereadores em Londrina e só não conseguiu porque a sociedade se opôs às suas intenções.

Por outro lado, é preciso frisar que a baixa produtividade da nossa casa de leis, observada nas últimas legislaturas, é um fato real, que está bem explícito nas manifestações feitas pela população, através dos canais da imprensa local. Logo, ao invés de investir esse volume absurdo de dinheiro na suntuosidade de um canal de TV, que se gaste apenas 1% desse valor em uma pesquisa de opinião pública para avaliar o trabalho de nossos vereadores. Também é muito importante destacar que tal trabalho seja feito em todos os bairros da cidade, principalmente nos locais onde habita a população menos favorecida.

Quem sabe os pensamentos mudem e possamos aplicar melhor o dinheiro dos pagadores de impostos.

Ludinei Picelli, administrador de empresas

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