Turismo em Londrina? Por que não?

Ricardo Prochet
Na última semana o londrinense foi brindado com a inauguração da primeira das quatro planejadas Centrais de Atendimento ao Turista, pela CODEL e seu presidente Farage Kouri. Ainda de carona no evento, o presidente da importante Companhia conseguiu a instalação em Londrina, no mesmo local, de um escritório avançado do Paraná Turismo que está aparelhado para atender a 129 municípios do norte do Estado.
Em países desenvolvidos como os Estados Unidos, o setor de serviços responde por 70% da economia. É fácil entender esse fenômeno, pois à medida que as pessoas vão enriquecendo, vai mudando o perfil de suas necessidades. Depois de adquiridos os bens materiais, aumenta imediatamente a procura pelos anseios de lazer, cultura e informação. Além disso é no setor de serviços que estão acontecendo as principais inovações, tais como os produtos de telecomunicações voltados para entretenimento e informação. Por conta disso, sou forçado a acreditar que os setores mais promissores no Brasil atual são os de Turismo, Hotelaria e de Telecomunicações.
Nossa Londrina, além de ter um povo hospitaleiro, é uma cidade que abriga há 40 anos uma exposição agropecuária e industrial de nível internacional e um festival internacional de teatro, dentre outras atrações que inevitavelmente movimentam a economia local, embora nem sempre percebido pelos londrinenses por já estarem incorporados ao dia-a-dia de todos.
Aqui contamos com excelentes e tradicionais hotéis, restaurantes, cinemas e shoppings, estando ainda localizados no coração do Mercosul, sendo inevitável passagem para aqueles que rumam a Foz do Iguaçu com a finalidade de conhecerem um dos maiores shows de beleza que a natureza pode oferecer.
O próximo passo para Londrina encher seu calendário anual de eventos consiste na criação de uma festa popular, que ainda não temos, tipo os Afoxé na Bahia, os Bumba-meu-boi, Boi-bumbá ou Boi-de-Mamão do Pará, Amazonas e Santa Catarina, respectivamente. Porque não mencionar o famoso Círio de Nazaré, em Belém ou ainda, Congadas, Fandango, Maracatu e até a horrorosa e tão mal fadada Farra do Boi, onde o animal acaba sacrificado, vítima de incontáveis sofrimentos e torturas.
Londrina é cercada por inúmeras fazendas que, se preocupadas com um tipo de turista que sai das grandes cidades à procura da tranquilidade e natureza da vida no campo, poderão criar uma nova tendência para o setor, como o turismo rural, e ainda, uma alternativa para proprietários rurais reestruturarem suas fazendas e transformá-las em pousadas ou hotéis, complementando as atividades produtivas da propriedade e atraindo receita para a região. Esse tipo de turismo é diferente do que conhecemos como ecoturismo. O atrativo do ecoturismo é o próprio meio ambiente, o turismo rural utiliza os aspectos naturais para manter a produtividade como atração. Nesta região, podemos afirmar que sobram esses aspectos nas propriedades rurais próximas, e ainda atrações contemplativas de meio ambiente tais como, a Mata do Godoy, o Salto Apucaraninha e o Canyon Guartelá, só para exemplificar e mostrar que estamos aptos a proporcionar tanto a modalidade de ecoturismo como de turismo rural.
O Estado do Espírito Santo está se especializando em agroturismo. Baseada no estilo italiano, essa modalidade se diferencia pela visita às propriedades onde o forte é a agroindústria. Neste caso, o turista pode ficar hospedado num hotel, mas não fica parado dentro dele. São programadas visitas às propriedades, para se ter contato com a vida rural e ver coisas simples como tirar leite de vaca e fabricar queijo. Em outra propriedade, onde o forte são os pomares, o turista pode ver como se fazem doces e compotas, em outra ver uma suinocultura, e assim por diante. À noite ele volta para o hotel, seja este fazenda ou não.
A questão primordial para se ter sucesso com a transformação de uma propriedade em uma hospedaria, é o atendimento familiar. ‘‘O cliente do turismo rural não quer ser mais um número, quer atendimento personalizado, quer ouvir as histórias da propriedade contadas pelo próprio dono. Ele valoriza a naturalidade cultural.
Os primeiros passos estão sendo dados em Londrina, já temos uma Faculdade de Turismo e Hotelaria com professores e Coordenador de altíssimo nível, o primeiro escritório da Diretoria de Turismo da Codel está instalado e as propriedades e atrações já existem, agora fica por conta do empreendedorismo, marcante vocação local, para colocar em prática esse ambicioso projeto que trará a nossa cidade mais capitais impulsionadores do progresso. Façamos nós, antes que outros o façam.
RICARDO PROCHET é empresário, professor universitário e Consultor de Empresas em Londrina e região

mockup