Turismo e empregabilidade
Todo brasileiro que se permita viajar e conhecer alguns tesouros existentes no País certamente jamais deixará de imaginar o turismo como algo concreto e como elemento fundamental e potencialmente valioso de emprego e renda para nossa população.
O Brasil como atração turística, além da costa esplendorosa, tem montanhas, parques turísticos, as Cataratas do Iguaçu, o Pantanal mato-grossense, a Chapada dos Guimarães, a Serra do Mar, Florianópolis e todo o litoral catarinense, o Rio de Janeiro, a efervescência de São Paulo... Concluímos que de norte a sul são incontáveis as belezas que possuímos, pinceladas do verde, amarelo, azul e branco... frise-se, belezas naturais onde o meio ambiente e a natureza é que ditam as maravilhas que vemos.
Temos preciosidades históricas que muitas vezes esquecemos quando valorizamos demasiadamente o potencial europeu ou países que cultivam as suas origens e tradições. Quais? A Costa do Descobrimento, a Rota Romântica na Serra Gaúcha reveladora da colonização alemã na região, as riquezas de Minas Gerais, enfim, temos história e uma cultura vastíssima que passa pelos índios, portugueses e por todos os povos de diferentes culturas que influenciaram a formação de nosso povo.
É de todo oportuno termos em mente iniciativas grandiosas que revelam um avanço turístico em nossa costa e em outros locais do Brasil, a exemplo da Costa do Sauípe, dos resorts existentes no Nordeste, investimentos estrangeiros (especialmente de grupos portugueses) que ali se fazem de forma crescente. E mais: estamos em plena expansão turística com relação aos cruzeiros marítimos.
O turismo de negócios, por sua vez, tornou-se uma alternativa para regiões e cidades estrategicamente bem localizadas. O ecoturismo é uma realidade e também uma alternativa para afastar o problema da sazonalidade e evasão dos turistas das férias.
Ao Sul, é surpreendente verificarmos a união política dos municípios em torno da Rota Romântica, onde as cidades detêm um planejamento definido e metas estipuladas para o turismo da região.
Os profissionais do turismo possuem, hoje, formação acadêmica através dos cursos de Turismo e Hotelaria, e o mercado de trabalho está mais aparelhado para avançar, haja vista as inúmeras universidades e os hotéis-escola existentes.
É indissociável a idéia do turismo como fonte de emprego e renda para a nossa população. O investimento político e econômico nesta indústria muito contribuirá para minimizar o grave problema social de miséria e fome de nosso povo.
Temos uma mão-de-obra disponível, dependente da qualificação profissional. A qualificação propiciará o emprego e este, por sua vez, renda para famílias cujos membros devem estar, há tempos, desempregados da indústria ou comércio.
Informações da Embratur dão conta de que, em 2000, a indústria turística correspondeu a cerca de 4% de nosso Produto Interno Bruto, com influência em 52 segmentos diferentes da nossa economia. Em particular, geraram-se US$ 9,3 bilhões de receitas diretas com os deslocamentos de 52 milhões de viajantes domésticos. Graças à atividade turística, carrearam-se para os cofres públicos US$ 7 bilhões de receita de impostos diretos e indiretos e mantiveram-se 6 milhões de postos de trabalho em nosso país. Igualmente digna de nota, a vinda de 5,3 milhões de turistas estrangeiros refletiu-se no ingresso de US$ 4,2 bilhões de divisas.
Tamanha pujança encontra correspondência no esforço de investimentos públicos e privados no setor turístico. Apesar das notórias restrições orçamentárias, o governo federal e os governos estaduais aplicaram mais de US$ 10 bilhões em ações e obras de infra-estrutura turística a partir de 1995.
A iniciativa privada, por seu turno, é responsável por investimentos da ordem de US$ 6 bilhões nos próximos anos na construção de hotéis, resorts e pousadas. Estes empreendimentos acrescentarão 140 mil empregos diretos e 420 mil indiretos ao mercado de trabalho, em um momento particularmente grave em termos de aumento dos índices de desemprego.
A expansão de oportunidades de emprego para os brasileiros é uma necessidade e o turismo é algo que deve ser explorado e pensado politicamente.
ALEX CANZIANI SILVEIRA é deputado federal pelo PSDB-PR e presidente da Subcomissão de Turismo da Câmara Federal





