A formação de um novo cenário da economia brasileira – com a manutenção do emprego e o aumento da renda – permite que as pessoas busquem mais qualidade de vida e lazer. A afirmação é sustentada por pesquisa que apontou que 56% dos brasileiros pretendem viajar mais neste ano. A motivação está amparada nas facilidades oferecidas, como promoções e parcelamentos, o que torna o custo de uma viagem diluído entre as despesas mensais das famílias.
Apesar dos belos e variados destinos oferecidos no Brasil, o alto custo das viagens nacionais comparado aos internacionais tem começado a afugentar turistas, internos e externos. O governo federal já percebeu a movimentação, tanto que nos últimos dias chegou a pressionar a rede hoteleira de cidades que sediarão jogos da Copa das Confederações para baixar o preço das tarifas praticadas. Para ficar em apenas um exemplo, em Brasília a diferença de custo chegou a 400% entre o final de semana da abertura da competição e o mesmo período anterior.
Outra preocupação é que o Brasil não consiga atrair os cerca de 600 mil estrangeiros esperados para a Copa do Mundo (que será realizada ano que vem no País) devido às tarifas cobradas pela rede hoteleira. Levantamento do Ministério do Turismo aponta que o preço local é o dobro do que foi cobrado na Copa da África do Sul, em dólar, e uma vez e meia a que se cobrou na Alemanha. É fato que boa parte dos hotéis instalados no Brasil se profissionalizou e oferece serviços compatíveis aos de qualquer outro país. No entanto, a diferença de valores não pode continuar tão grande. E, nesse caso, a desculpa não pode recair apenas sobre a alta carga tributária brasileira. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, o custo da mão de obra ainda é mais caro do que no Brasil.
Aliás, é chegado o momento de se discutir mais seriamente o custo de vida brasileiro. Alimentação, serviços, aluguéis e tarifas de serviços públicos estão com tarifas muito altas e isso precisa ser revisto. É inaceitável que a diferença de preços de produtos similares praticados no exterior e no mercado interno continue tão grande a ponto de cobrir o custo de uma viagem internacional. Apesar da melhoria das condições financeiras dos brasileiros, os preços têm que permanecer compatíveis aos de outros países.

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