Segundo dados do Fórum Desenvolve Londrina, os setores mais presentes na economia criativa da cidade são o turismo de eventos e a gastronomia. Cidade criativa, segundo Ana Carla Fonseca, especialista na área, é "a cidade que se reinventa e coloca sua criatividade em prática para se transformar em um espaço melhor?", nas perspectivas econômica, social e ambiental. Assim sendo, o que nos falta para colocar Londrina em outro patamar nesses setores? Antes de responder, precisamos entender qual é o potencial da economia criativa em termos de negócios.

Tóquio, Londres, Pequim, Songdo, Barcelona: o que estas cidades têm em comum? Investem, dentre outras coisas, em qualidade de vida e em economia/pessoas criativas. Não precisamos ir tão longe. Blumenau, por exemplo, se transformou de uma cidade fabril, para uma cidade turística; uma enchente destruiu a cidade em 1982. A partir da tragédia surgiu a Oktoberfest, atraindo visitantes de todo país. A partir desse evento, cujo mote partiu da sua gastronomia, a cadeia produtiva ligada a vários processos criativos transcendeu o evento, gerando diversos negócios, a exemplo do Festival da Cerveja, sem contar na valorização dos grupos folclóricos. Os pavilhões da antiga Proeb se transformaram em um importante espaço de eventos e complexo gastronômico cultural, denominado Vila Germânica, que anualmente recebe cerca de 800 mil visitantes.

Precisamos aproveitar melhor a nossa veia criativa! Qual economista consegue medir os impactos gerados pela São Paulo Fashion Weak? São cerca de 1.500 jornalistas do mundo inteiro em uma semana de evento, cujo desdobramento desenvolveu a cadeia produtiva da moda, transformando São Paulo num centro de compras mundial. O que dizer de Joinville? a vinda do Ballet Bolshoi para cidade proporcionou uma série de benefícios. Além de ser um maravilhoso projeto social, as crianças estudam em tempo integral, se profissionalizam e ganham o mundo. Inteligentemente, também virou estratégia para captação de eventos, a cidade ganhou uma visibilidade incontestável com a realização do maior Festival de Dança do mundo, de acordo com o Guiness Book.

Diante de tais exemplos, o que falta para Londrina aproveitar as suas ondas criativas? Vamos surfar nelas! Primeiramente, temos que maximizar o nosso potencial, nos apropriar das identidades transformando-as em business. Somos uma cidade que promove 13 festivais de diversas áreas da cultura, a exemplo do Londrina Matsuri, assim como a Exposição Agropecuária de Londrina, que é uma das melhores da América Latina. A gastronomia, sob a influência de várias etnias, foi um dos setores que mais evoluiu e se diversificou na última década na cidade. E falando nisso, somos agro, universitária ou inglesa? Quais são as experiências que queremos passar para as pessoas?

A união entre os setores público, privado, universidades e terceiro setor se faz urgente, precisam trabalhar juntos, num planejamento estratégico criativo e inovador, com metas claras, que permitam que as pessoas e instituições falem a mesma língua. A tarefa não é fácil, mas não há dúvidas de que nosso potencial é imenso! Podemos alavancar o turismo de eventos e a gastronomia sob o guarda-chuva da economia criativa, visando à criação de emprego e de renda. Para tanto, vale a máxima "sucesso só vem antes do trabalho no dicionário".

Maitê Uhlmann, presidente do Conselho Municipal de Turismo de Londrina, membro fundadora do Fórum Desenvolve Londrina, diretora de Turismo da Codel.

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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