O deputado Algaci Túlio disse ontem que a decisão da Câmara dos Deputados que rejeitou emenda do deputado José Janene (PPB) permitindo o acúmulo de cargo de vice-prefeito com mandato parlamentar muda os rumos das negociações com o prefeito eleito em Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT). Túlio quer mais do que uma secretaria municipal e um gabinete de vice-prefeito para renunciar ao mandato de deputado estadual.
Túlio quer garantir espaço político na Prefeitura de Curitiba e já pensa em fechar um acordo para ser o candidato do PDT à sucessão de Cássio Taniguchi nas eleições do ano 2000. ‘‘Por que não? Eu sei que é cedo, mas preciso de segurança’’, afirmou.
Com a impossibilidade de acumular o cargo de vice-prefeito com o mandato de deputado, Túlio quer que Taniguchi e o governador Jaime Lerner encontrem uma solução para o impasse. ‘‘Eles é que criaram esse problema para mim. Eu não queria ser candidato a vice-prefeito e aceitei o pedido de integrar a chapa para fazer frente ao perfil popular da candidatura de Carlos Simões. Esse problema não é só meu’’, afirmou.
Antes de viajar ontem para os Estados Unidos, o governador Jaime Lerner disse que prefere manter Túlio na Assembléia Legislativa, onde ele exerce o cargo de líder do governo. Para ficar na Assembléia, o deputado terá que renunciar ao cargo de vice-prefeito.
Nesse caso, quando Cássio Taniguchi viajar ao exterior o presidente da Câmara Municipal assumirá o comando da prefeitura. Taniguchi e seu grupo não querem correr o risco de entregar o poder, mesmo que temporariamente, nas mãos de Íris Simões (PSDB), candidato à reeleição para a presidência da Câmara.
Túlio diz que está num ‘‘pacal de bico’’, mas revela sua tendência em renunciar ao mandato de deputado. ‘‘Recebi 47 mil votos na última eleição para deputado, dos quais 40 mil só em Curitiba. Hoje, atendo a 22 municípios de todo o Estado como deputado, mas não terei qualquer constrangimento em renunciar ao mandato parlamentar em favor de Curitiba’’, afirmou.
O conformismo de Túlio é aparente. Ele apostava na aprovação da emenda constitucional que possibilitaria o acúmulo de cargos. A emenda foi votada pela Câmara dos Deputados anteontem e precisava de 308 votos para ser aprovada. Apenas 207 deputados federais votaram a favor da proposta do deputado paranaense José Janene.
A derrubada da emenda também afeta o deputado federal Djalma de Almeida César (PMDB), eleito vice-prefeito em Ponta Grossa, e o deputado estadual Marquinhos Alves (PTB), eleito vice em Maringá. Os dois ainda estão em dúvida quanto à opção que terão de fazer.
Caso Túlio e Alves renunciem aos mandatos de deputado, a Assembléia Legislativa terá três novos membros a partir de janeiro, quando Antonio Belinati tomará posse como prefeito de Londrina. Serão empossados Marcos Isfer (PDT), Júlio Ando (PDT) e Ademar Traiano (PTB).

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