Nem o mundo mudou e nem os Estados Unidos mudaram depois do atentado do 11 de setembro negro, que ontem fez um ano. Temia-se por uma guerra de revide sem precedentes, mas tal não ocorreu na intensidade que se chegou a imaginar, e nem a política intervencionista norte-americana recuou sua marcha. Governo e povo da poderosa nação continuam com o mesmo ímpeto belicista, e agora mesmo têm como idéia fixa começar uma guerra contra o Iraque. Com uma mão empunhando a bíblia e com outra a metralhadora.
O presidente George Bush não caminha na contra-mão da vontade nacional e faz apenas o que os cidadãos de seu país desejam, que é manter a hegemonia sobre o mundo, a qualquer custo. Os EUA são um povo por inteiro alistado - real ou ideológicamente - nas fileiras de seu glorioso exército. Alinha-se em idênticos ideais, que contemplam muito pouco as fórmulas de paz e sim as de guerra, o que é um dos seus rendosos negócios. Guerra que se trava em muitas frentes e é marcada também pelo seu isolacionismo em questões de interesse mundial, como é o caso - apenas para citar fato recente - da sua rejeição ao tratado de redução na emissão de gases industriais poluentes, previsto no Protocolo de Kyoto.
Decorrido um ano da dantesca destruição das torres-gêmeas de Nova York, que abalou a humanidade e mostrou a fragilidade do sistema estratégico e defensivo da portentosa nação, assim como da ousadia e capacidade de ação do terrorismo, a política externa dos Estados Unidos continua a mesma, e essa rigidez inarredável manteve acesa a chama anti-americanista dos seus fatais inimigos. Porque, enquanto o povo americano rememora a triste perda de milhares de vidas ocorrida no trágico acontecimento, os terroristas louvam a façanha de seus homens e a consagram como missão divina, sem afastar novas ameaças.
O atentado só esmaeceu um pouco a imponência arquitetônica da ilha de Manhattan, agora sem um dos seus marcantes símbolos de poder econômico, mas nada mudou na mentalidade dominadora dos governantes, das poderosas corporações atreladas aos negócios da guerra e da maioria esmagadora da sociedade americana. Muito se disse e escreveu acerca do que o acontecimento iria significar para uma mudança de comportamento das nações poderosas - a começar dos EUA - na sua relação com as mais pobres e espoliadas. Mas vê-se, um ano depois, que nada de novo ocorreu e que a eventual repetição de atentados como aquele nada acrescentará. Conclui-se que - por tortuoso que seja - o caminho da negociação e da busca de entendimento é ainda o recomendado e único capaz de produzir progressos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup