O giro do ministro Pedro Malan e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, pela Europa nesta semana teria o objetivo de ''acalmar'' investidores estrangeiros e manter abertas linhas de crédito para o País nos próximos meses. Ao embarcar para o mundo desenvolvido, os caciques da economia brasileira declararam que a missão pretendia resgatar a credibilidade do País lá fora.
Credibilidade perdida sob o comando deles, vale lembrar. A tarefa dos garotos-propaganda é convencer os donos do dinheiro de que apostar no Brasil é bom negócio. Em Nova York, mês passado, pesos-pesados do sistema financeiro internacional receberam as autoridades brasileiras, ouviram os seus argumentos e juraram que não olham o País de viés. Mas não esconderam a apreensão com o futuro do Brasil, mergulhado em dívida e em meio a uma transição política que indica correção de rumo. Até mesmo as diretrizes do Fundo Monetário Internacional começam a ser colocadas em xeque.
Depois da hecatombe argentina e da crise de confiança norte-americana (com o boom de indústrias que fabricam números, em vez de produtos), os investidores do mundo inteiro apertaram o botão de pausa. Não só em relação ao Brasil, mas a qualquer emergente que represente ameaça de perda. Certamente não será uma visita de cortesia que convencerá investidores de que por aqui tudo vai muito bem. Por mais que Malan e Fraga empenhem suas palavras.
Parece, portanto, que o tour tem mais o objetivo de convencer o ''público interno'' especialmente os eleitores brasileiros de que a cúpula econômica do governo ainda desfruta de prestígio internacional. De qualquer forma, o roteiro de encontros com os grandes nomes da elite financeira mundial inclui Espanha, Inglaterra, Suíça, França, Alemanha, Holanda. Se não der em nada, é um passeio e tanto.
Ruth Meira

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