Mal terminou a batalha eleitoral e o PSDB já está metido em outra guerra. A derrota do senador José Serra na corrida presidencial, somada à saída de cena do presidente Fernando Henrique Cardoso e às mortes dos ex governadores Franco Montoro e Mário Covas, todos paulistas, abriu espaço para o conflito interno. Depois de uma década de hegemonia paulista, Minas Gerais e Ceará entram na disputa pelo comando da legenda.
O conflito interno ganhou contornos concretos na semana passada, quando o senador eleito pelo Ceará, Tasso Jereissati, antecipou a derrota de Serra e disse claramente que era preciso mudar a cara do partido depois dela. Tasso cobrou ''a reposição de lideranças'' como condição imprescindível para se consolidar a mudança, trazendo a público o que os mineiros, embalados pela eleição em primeiro turno do presidente da Câmara, Aécio Neves, para governador, vinham articulando nos bastidores.
''Mas não existe partido forte sem uma regional paulista forte'', adverte o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. ''E o PSDB paulista saiu fortalecido desta eleição'', insiste, com a autoridade de quem enfrentou e venceu o PT na corrida estadual.
Advertência à parte, quem sai na frente na consolidação de sua liderança nacional, dentro e fora dos limites do PSDB, é Aécio Neves. Além de ter construído uma poderosa aliança em torno de sua candidatura ao governo de Minas, ele mantém sob sua liderança pessoal uma bancada de cerca de 80 deputados de vários Estados e partidos. Os mesmos que o lançaram como Plano B caso a candidatura Serra não decolasse.
A vitória do PT e o apoio do governador Itamar Franco, que é contra a reeleição e já lançou a candidatura do tucano à presidência da República, reforçam ainda mais a presença de Aécio na lista de presidenciáveis do PSDB, sempre recheada de nomes. Mas ele próprio sabe que de hoje a 2006, há o intervalo de um mandato que, em política, pode ser uma eternidade.
O prazo é grande, principalmente porque o charme pessoal do articulador Aécio Neves não é garantia de sucesso na condução de um governo com sérios problemas financeiros. Neste quesito, quem larga em vantagem é o governador Geraldo Alckmin que, com as contas ajustadas, tem muito mais folga orçamentária para realizar investimentos e traduzi-los em votos em 2006.

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