TT Catalão
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Papuda Fashion
SPA-puda neles! Sim, os poderosos estão indo para a cadeia. O mais recente, Salvatore Cacciola, já ocupa um tríplex três por quatro com vistas para o sol quadrado, depoente. Nenhuma baixeza vingativa ou euforia francesa que saboreava cada pescoço pulando da guilhotina. Mas já passa da hora essa virada da Justiça. Passa da hora essa devolução de um mínimo de dignidade elementar: a lei que vale para todos também vale para os privilegiados.
Claro que ainda haverá desigualdades no poder de pressão de quem pode fazer lobby, comprar mídias, contratar capangas para ameaças e uma astuta esquadrilha de advogados hábeis em lábias e técnicas para constituir o famoso corpo de defesa. Mas só o fato de estarem indiciados e na pressão de uma cobrança direta de seus atos e desvios já anima.
Admitamos até uma nova grife de produtos para canalhas soft. Ao pedirmos algemas Cartier no Desabafo de terça última, choveram listas de novos itens para esse novo condomínio fechado a sete chaves que abrigasse em clube restrito tais facínoras da confiança nacional.
A política de isolá-los da massa carcerária não constituiria nenhuma discriminação ou afronta aos ladrões que roubam para matar a fome ou pela ilusão de ter tudo o que a TV vende. Colocá-los em cárceres próximos da falsa luxúria em que viviam é para aumentar a tortura de ver o quanto foram indignos. Era falsa a luxúria por ter sido saqueada desonestamente.
Leitores sugeriram uniformes Saint-Laurent com listras diagonais para aumentar a sensação de vertigem do quanto caíram em sua infâmia. Pediram cosméticos especiais antitraças para deslavada cara-de-pau ao mentirem sem pudor. Celas com espelho no teto para que nem no sono eles fujam da própria imagem decadente. Um spray Inhaca-jaula para o aroma de consciências tão fétidas. Celas em fiberglass para evitar corrosão diante de tamanha viscosidade pegajosa das mãos de rapina. E até um Feng-Shui geral na cadeia para desbloquear o fluxo e as contas na Suíça ou em laranjais brasileiros.
Malandro seria honesto só por malandragem, citou Benjor em música. Malandro tinha uma aura de picardia na ficção de dois autênticos representantes que nos deixaram este mês: João Nogueira e Morengueira da Silva. Eram malandros de mímica, míticos.
Tão diferentes do pilantra poderoso. Não há vergonha maior que desonrar a confiança depositada. A mentira da traição. O tirar vantagem sobre miseráveis. É essa a vergonha explícita de quem rouba dinheiro público. O mais trágico nessa conversa toda é saber que tais infelizes patifes desenvolveram uma couraça tão impenetrável, têm justificativas tão cínicas que pouco sofreriam com a humilhação de uma cadeia. Logo estariam até recebendo medalhas de Honra(?) ao Mérito(?) por imprestáveis serviços prestados. Anos de extorsão afinam a distorção.
- TT CATALÃO é jornalista em Brasília





