Trump e a construção da Nova Ordem Mundial
O controle da Groenlândia, maior ilha do mundo, é a nova obsessão de Trump
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
O controle da Groenlândia, maior ilha do mundo, é a nova obsessão de Trump
Edinelson Alves 
O presidente Donald Trump tem utilizado toda capacidade de ação e de persuasão do poderio militar dos Estados Unidos para construir, à sua maneira, uma Nova Ordem Mundial. Em apenas um ano de mandato, ele elevou as tarifas sobre importação de produtos (o que provocou a maior mudança no comércio global em 100 anos), fechou as fronteiras, promoveu a deportação massiva de imigrantes e autorizou o uso da força militar contra países do chamado “eixo do mal” – tudo simultaneamente e com um senso de urgência que tem desestabilizado os alicerces das relações internacionais.
A Ordem Mundial em vigência foi firmada após o fim da Segunda Guerra quando emergiram duas superpotências: a URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviética, representante do modelo comunista (e que a partir de 1945 estabeleceu controle sobre as áreas da Europa Oriental como Polônia, Alemanha Oriental, Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária e Albânia, além de anexar os países Bálticos como Estônia, Letônia, Lituânia e partes da Finlândia, moldando assim a "Cortina de Ferro") e os Estados Unidos, líder do regime capitalista que lançou o Plano Marshall e investiu bilhões de dólares para a reconstrução da Europa Ocidental para evitar o colapso social e recuperar a economia dos seus parceiros de negócios.
Foi também no pós-guerra que os Estados Unidos patrocinaram a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) “com o objetivo de livrar as futuras gerações do flagelo da guerra”; da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), cuja base ainda é a aliança militar e política de segurança coletiva. Também foram criados o Fundo Monetário Internacional (1944), o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (1947) - depois transformado na Organização Mundial do Comércio. E agora, nessa estratégia de colocar a “América em primeiro lugar”, numa única canetada, Trump ordenou a saída dos EUA de mais de 60 organizações, 31 delas diretamente vinculadas a ONU.
Como a Europa tem buscado ajuda dos Estados Unidos para enfrentar a Rússia, um mês após sua posse, Trump enviou seu vice para a Conferência de Segurança na Alemanha, e JD Vance deu um recado direto e duro para os líderes europeus: “A maior ameaça à Europa vem de dentro, não da Rússia ou da China”. Ele acusou os governos europeus de se afastarem das bases fundamentais, incluindo a liberdade de expressão, a democracia e valores cristãos/ocidentais. Trump afirmou que a Europa precisa se unir para enfrentar a Rússia, e com isso, os países-membros da OTAN concordaram em elevar de 2% para 5% do Produto Interno Bruto os gastos com o setor de defesa.
O Oriente Médio vive hoje um novo contexto geopolítico. Há quase 50 anos os fanáticos religiosos iranianos gritavam “morte à América e eliminação de Israel”. Alegando ameaça nuclear, Israel, durante 12 dias, acabou com a defesa aérea do Irã e matou todos os seus comandantes militares. A então temida Guarda Revolucionária e o todo poderoso aiatolá Ali Khamenei sofreram uma humilhante derrota. Ignorando a aliança de Teerã com a Rússia e a China, Trump ordenou que os bombardeiros B-2 concluíssem a destruição da usina nuclear subterrânea do Irã. Em decorrência desse enfraquecimento do regime, atualmente milhares de iranianos estão nas ruas clamando por liberdade.
Outro exemplo recente foi a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Há 27 anos, sob a liderança de Hugo Chaves e seu sucessor Nicolás Maduro, o país passou a viver um processo contínuo de empobrecimento e perda de liberdades. Chavez e Maduro controlaram o Executivo, Legislativo, Judiciário, as Forças Armadas, sufocando a oposição com prisões e eleições fraudulentas. O nível de pobreza e insegurança expulsou 8 milhões de venezuelanos para outros países. Então, Trump determinou a captura de Maduro e sua esposa. Os EUA são acusados de visar apenas as riquezas minerais da Venezuela, porém, a estratégia de Trump é impedir que o petróleo continue sendo usado como moeda de pagamento para Rússia, China e Cuba. Ou seja, foi um corte drástico na irrigação financeira promovida pelo petróleo.
O controle da Groenlândia, maior ilha do mundo, é a nova obsessão de Trump. A ilha pertence ao Reino da Dinamarca. Para Trump, a localização da ilha é estratégica para instalação de sistemas de defesa antimísseis e para impedir que a China ou a Rússia ganhem influência na região. Os países da Europa e a OTAN se revoltaram contra essa ação de Trump.
Trump irá, nos próximos três anos de mandato, manter esse mesmo ímpeto de imposição internacional de suas crenças e seus valores? Esse comportamento não incentivará a China a invadir Taiwan? E igualmente a Rússia não será tentada a levar seu expansionismo para outros países? O certo é que, gostando ou não de Trump (e muitos o criticam pelo seu personalismo imperialista), é inegável que ele está lançando as bases de uma Nova Ordem Mundial. E é importante lembrar, Trump não é um político tradicional preocupado com a opinião pública, mas sim um franco-atirador que dispara para qualquer lado, independente de quem seja o alvo.
Edinelson Alves, jornalista
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