EDITORIAL -

Trote estudantil: sem justificativa


Folha de Londrina
Folha de Londrina

A recepção de calouros universitários por meio de trote é uma prática antiga. Se por um lado a “brincadeira” pode ajudar na interação dos estudantes, por outro pode causar problemas, traumas e provocar até ferimentos e mortes. Infelizmente, não são poucos os casos de trotes que terminam de forma trágica.  

Nesta quarta-feira (29), a FOLHA mostra a preocupação da UEL (Universidade Estadual de Londrina) em oferecer para os calouros que chegam à instituição uma recepção edificante e não agressiva. Uma resolução que entrou em vigor em 2008 proíbe trotes na universidade. Mas 12 anos depois da proibição, ainda há casos de ingressantes que passam por algum tipo de humilhação.  Mudar essa cultura não é fácil, mas é preciso insistir. Embora não haja números oficiais e nem estatística, a Prograd (Pró-Reitoria de Graduação) afirmou que já registrou denúncias este ano.  



O trote estudantil pode existir, mas ele precisa estar aliado ao bom senso e ao respeito. Na UEL, a expressão foi substituída por “recepção aos ingressantes”.  Ela é promovida pela instituição com a colaboração dos estudantes e a coordenação dos cursos. A ideia é oferecer atividades que estejam de acordo com as necessidades da sociedade e ao acolhimento dos estudantes que começam um curso superior.   

É claro que há casos e casos. Há brincadeiras tradicionais em que a participação dos alunos é voluntária. É o caso dos alunos da Universidade Federal do Paraná, que comemoram a aprovação no vestibular com o conhecido banho de lama. Muitas vezes, até os pais e irmãos acabam se jogando no barro.  

O mesmo não vale para formas abusivas de distinguir veteranos e novatos a qualquer custo, obrigando jovens a ingerir bebida alcoólica em excesso e impondo humilhação pública e agressões físicas e psicológicas. São situações em que os ingressantes não têm escolha e são obrigados a participar da “brincadeira”, que atualmente está começando mesmo antes do início das aulas. Os aprovados no vestibular que possuem redes sociais certamente já foram contactados por algum veterano e convidados a fazer parte de um grupo no WhatsApp, por onde já vêm recebendo tarefas.  

É preciso acabar com o ciclo vicioso em que o veterano quer descontar no calouro as humilhações sofridas quando era novato. 

Por isso, é muito importante que as universidades encontrem formas alternativas e construtivas de ingressar o estudante ao mundo acadêmico. Com medidas solidárias e repreendendo qualquer forma de violência. É preciso colocar um ponto final nesse traiçoeiro ciclo em que os agredidos de hoje serão os agressores de amanhã. 

 



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