Nem tudo na internet é nocivo, mas esse revolucionário sistema de comunicação e de veiculação de contéudo e imagens está levando um número cada vez maior de usuários a uma quase obsessão. Os que ainda não estão conectados, logo estarão, e não demorará que a humanidade inteira esteja envolvida no processo, isto incluindo os povos mais pobres. O que veio para, supostamente, aproximar as pessoas, na verdade as distanciou, porque as segregou em compartimentos diante do computador, embora com janelas virtuais abertas em todas as direções. Mas nem tudo ''está perdido'', porque são muitos o que não se ligam na internet geralmente pessoas mais idosas, que acham complicado o sistema e também jovens, como o exemplo dos que participam do CISV como é conhecido o Childrens International Summer Village programa de intercâmbio de meninos e meninas de todo o mundo. O assunto é abordado em reportagem de ontem deste Jornal, mostrando que há adolescentes que preferem trocar a internet pela amizade pessoal, no convívio do calor humano. Se essa prática salutar é ainda uma gota d'água no oceano que forma o universo das infovias, demonstra que nada substitui o sistema milenar de as pessoas se verem, se comunicarem e se tocarem, pela presença física. O primeiro advento que separou bastante os seres humanos foi a televisão, e a partir daí outros sistemas como o telex, o fax, o telefone celular, foram surgindo, até chegar à internet, todos eles tornando a comunicação mais fácil e encurtando distâncias, mas colocando mais separados entre si os habitantes do mesmo país e de todo o planeta. Se, naturalmente, jovens como o desse intercâmbio também convivem com as modernidades eletrônicas, é certo que conforme depoimentos deles estes momentos de desconexão os levam a pensar mais uns nos outros. A convivência sem ajuda do instrumental eletrônico é mais saudável e faz aflorar a sensação de liberdade, que é, afinal, o maior dos anseios humanos. Se ocasiões como esta deixam as pessoas tão felizes e isto acontece com gente de todas as idades então a facilidade técnica das comunicações não é ainda a solução para o bem-estar humano. A humanidade teria de reinventar outro processo, mas certamente não encontrará outro melhor do que este que veio cultuando há milênios, que é o da estreita relação pessoal. Não há nada de saudosismo, supostamente fora da realidade contemporânea, no anseio que as pessoas ainda nutrem de encontrar-se mais frequentemente, ''ao vivo'', como nos tempos de outrora a bela época em que a ausência da tecnologia ainda não havia amenizado a árdua labuta dos homens, mas a humanidade era mais segura e mais feliz.

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