O desfecho das buscas pela fotógrafa londrinense Ana Paula Cardoso, de 29 anos, encontrada sem vida nesta quinta-feira (30), após cinco dias de intensos trabalhos em uma trilha na região de Sapopema, encerra uma espera angustiante e abre espaço para um sentimento comum a todos: o da tristeza.

O corpo da fotógrafa foi localizado no início da manhã em Sapopema com a ajuda de drones. Ela tinha sido vista pela última vez na tarde de sábado (25), no Salto das Orquídeas, enquanto tentava atravessar um trecho de corredeiras ao lado de uma amiga. Durante a travessia, ambas caíram de uma cachoeira com aproximadamente 45 metros de altura.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, as imagens captadas pelo drone permitiram localizar o corpo da vítima flutuando no rio, de 150 a 200 metros à frente do Poço Preto, não muito longe de onde aconteceu o acidente.

Em momentos como esse, a notícia perde um pouco o peso da informação para assumir o da humanidade. A família da fotógrafa pediu respeito à privacidade durante o velório e o sepultamento da jovem e que não fossem captadas imagens e entrevistas nesses momentos. Há uma família mergulhada no luto, amigos tentando compreender o inexplicável.

Há também profissionais e voluntários que dedicaram dias de esforço, técnica e esperança na missão de encontrá-la. A eles, resta o reconhecimento pelo trabalho incansável desenvolvido em condições muitas vezes adversas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, desde o início da operação, as equipes empregaram buscas terrestres, aquáticas e aéreas, além de recursos tecnológicos, como drones. Ao longo dos trabalhos, mas de 100 mil metros foram percorridos com atuação de bombeiros militares, voluntários e equipes especializadas, incluindo o GOST (Grupo de Operações de Socorro Tático).

Nas redes sociais criadas, os amigos agradeceram a todos que auxiliaram nas buscas pela fotógrafa. "Obrigado ao Corpo de Bombeiros, a toda a equipe de resgate, aos voluntários tanto da escalada, trilheiros, canoagem e tantos outros que estiveram nesses dias dando o máximo para que pudéssemos encontrar nossa amiga."

Mas tragédias também carregam a responsabilidade de provocar reflexão. A natureza não é imprevisível por maldade; ela simplesmente segue suas próprias regras. Mudanças repentinas no clima, terrenos escorregadios e vegetação fechada podem transformar rapidamente um passeio em uma situação de emergência. E, nesses cenários, experiência, preparo e equipamentos adequados fazem diferença.

O poder público e empresas privadas responsáveis por áreas de visitação precisam investir em sinalização, orientação aos visitantes, fiscalização e planos de resposta a emergências. O incentivo ao ecoturismo deve caminhar lado a lado com políticas de prevenção. Não para afastar as pessoas das trilhas, mas para que elas possam voltar para casa depois de cada jornada.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup