Tristes números
O feriado de Carnaval expõe, mais uma vez, a triste realidade de mortos e feridos nas estradas de todo o Brasil, especialmente do Paraná. Em matéria que a FOLHA publicou ontem, os números de mais uma tragédia anunciada: 11 pessoas morreram e 106 ficaram feridas em 108 acidentes que aconteceram nas rodovias estaduais durante os primeiros dias de folia. Os dados são da Polícia Rodoviária Estadual (PRE).
No fim do ano, infelizmente, as estatísticas devem mostrar números ainda mais trágicos. É difícil esperar algo diferente diante do seguinte cenário: dos 12.373 km de rodovias estaduais do Paraná, apenas 266 km são de pista dupla. No caso das federais, a malha total é de 3.422 km, 702 km deles de pista dupla. Nesse total inclui-se os trechos que estão nas mãos das concessionárias - concedidos pelo governo do Estado e pela União. Pagamos pedágio para usar 2.768 km de estradas, 769 km deles duplicados. Os números estão no site do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) do Paraná.
Na última semana, este jornal solicitou entrevista com o secretário de transportes do Paraná, José Richa Filho, o qual não atendeu à reportagem. A assessoria de imprensa do órgão informou que ele deve se pronunciar nos próximos dias, assim que estudos sobre a necessidade de investimentos nas estradas forem concluídos.
Em relação aos trechos pedagiados, apesar dos altos valores que os motoristas são obrigados a pagar em diversas praças, os contratos foram feitos de modo que a duplicação não é celebrada. Azar do contribuinte.
A situação fica mais crítica se considerarmos que o atual governo do Estado já deixou claro que há deficit nas contas, dificultando investimentos. Porém, enquanto deixa de investir na duplicação de trechos críticos, como a parte urbana da PR-445, entre Londrina e Cambé, o governo gasta - e muito - tratando de feridos e sequelados em acidentes.
Contudo, como declarou à FOLHA o capitão Gustavo Hauenstein, comandante da 2 Companhia de PRE na última semana, de nada adianta estradas excelentes e duplicadas se não houver educação por parte dos motoristas. Tragédias continuarão acontecendo. No litoral, da última sexta-feira até anteontem a PRE prendeu 59 pessoas por embriaguez ao volante e autuou 870 motoristas por excesso de velocidade. Números que pouco tem a ver com a vontade governamental. E eles também são tristes.





