Opiniões de alguns empresários sobre o conteúdo do pacote governamental é que, num Governo de baixo teor de realizações, isto é melhor que nada. Muito desalentador um povo situar-se nesse conformismo, porque de um governante que chegou com pompa e circunstância, quatro anos atrás, esperava-se um espetáculo de crescimento, algo revolucionário que faria história, mas que não aconteceu. As avaliações são de que, excluído o ''melhor que nada'', há pouco de grandioso que destrave a economia nesse Programa de Aceleração do Crescimento.
Necessário ressaltar que tudo terá ainda de ser aprovado pelo Congresso, porque este é o ordenamento. Talvez nem tudo passe, ou ainda demore, porque agora começa a jornada das negociações e não faltará nos parlamentos quem deseje dificultar as coisas. Aguardava-se uma desoneração fiscal mais consistente, mas esta foi menor do que o previsto. O Governo somou projetos anteriores e reuniu tudo neste PAC, e assim o volume de intenções ficou recheado - porque também entraram os projetos de investimento das estatais, que são regulares, e a previsão dos investimentos privados. No que compete à parte do Governo propriamente dita, uma pergunta que está no ar é de onde sairão os recursos financeiros.
Desde o primeiro mandato o Governo Lula deveria ter enviado ao Congresso propostas de grandes reformas institucionais que favorecessem a iniciativa privada, e esta se encarregaria de destravar a economia, por um processo natural e sem necessidade de grande fôlego do Governo. Mas isto não foi feito e mudanças relevantes estão aí ainda por acontecer. As desonerações fiscais que ora ocorrem, especialmente as da construção civil, poderiam ter acontecido nas primeiras horas do Governo Lula. Assim como outras mais, que teriam reduzido a carga tributária e alavancado as forças produtoras nacionais e assim os benefícios viriam como natural consequência.
Não figura, no PAC, um programa de redução dos gastos governamentais, o que, se ocorresse, diminuiria o custo da máquina pública e possibilitaria diminuir impostos. Menos encargos tributários para a cadeia produtiva significariam mais disponibilidade de dinheiro no universo dos negócios e no meio circulante - segredos do desenvolvimento. Nada há de corajoso da parte governamental neste pacote destravador da economia, considerando que os brasileiros esperaram quatro anos para algo de extraordinário acontecer, mas ainda não foi desta vez. O Governo contempla setores da construção e anuncia prioridade de investimento em rodovias, ferrovias, portos, energia e saneamento. A indústria, diretamente, e a agricultura não foram lembradas. Na soma financeira das intenções o volume é sedutor: R$ 504 bilhões nos quatro anos de mandato. Mas, afora as medidas concretas - e que dependerão ainda da aprovação do Congresso - muita coisa do PAC é apenas previsão e intenção.

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