A manutenção, pelo Brasil, até o início dos anos 90, de uma política de financiamento à produção e comercialização centralizada pelo governo federal permitiu ao país ter um domínio completo sobre o ciclo produtivo da lavoura tritícola. Essa política propiciou que o nosso país chegasse próximo à auto-suficiência em meados da década de 80.
Os ventos da abertura econômica dos anos 90 levaram a uma mudança radical nessa política, com a privatização da comercialização a abertura de nossas fronterias à competição externa e aos tratados regionais. Essa mudança, que provocou uma sensível redução no volume de produção nacional, ensejou a oportunidade de redirecionamento dos nossos centros de pesquisas para a geração de um padrão tecnológico de produção (particularmente novas variedades de semente) capaz de competir em igualdade de condições com o produto importado.
A capacidade que o país tem de gerar produção de alimentos é um patrimônio inalienável. O governo federal tem plena consciência que a concorrência aberta ao nosso produto, com as importações oriundas de países com melhor infra-estrutura de comercialização, fontes baratas de financiamento, menores custos de produção e, mesmo subsídios na exportação, poderia destruir, de forma irremediável, a produção nacional. Por isso, tem feito o possível para, dentro de suas limitações, assegurar a continuidade dessa atividade.
Está evidente para todos que nosso país vive um momento de transição na produção do trigo e que estamos conseguindo, de forma bastante rápida, recuperar nossa competitividade com a introdução de novo material genético nas lavouras e sistemas de produção mais modernos.
Dentro dessa preocupação, o Conselho Monetário Nacional aprovou o voto CMN nº 036/97 em 25/03/97 com as medidas oficiais para o plantio da próxima safra. Dentre outras medidas foi afixado o preço mínimo de R$ 157,00 para o trigo superior, temporada de 1997. Além disso, já está estabelecido que o governo federal, através da CONAB, manterá um programa de sustentação desse preço e dará apoio integral à comercialização com a utilização do Prêmio para Escoamento da Produção - PEP.
O PEP, implantado na comercialização da safra 1996, faculta ao governo federal garantir o preço mínimo aos produtores, sem a necessidade de formar estoques. Esse mecanismo opera através de uma disputa em leilão público e paga um prêmio aos moinhos de modo a equalizar os preços do trigo nacional ao trigo importado. Quando comparado com o mecanismo tradicional de garantir preço mínimo através de aquisições pelo governo federal, apresenta, pelo menos, três vantagens: 1) deixa a comercialização ser operada pelos próprios agentes privados (produtores e moinhos); 2) premia os bons produtores, na medida em que eles têm melhores chances de fechar bons negócios com os moinhos na disputa pelo prêmio ofefecido e, 3) previne as fraudes e desvios que poderiam ocorrer na formação de estoques públicos.
A produção de trigo tem futuro no Brasil. A rapidez das mudanças nos sistemas de produção e no processo de comercialização indicam que nossos pesquisadores, agrônomos e produtores estão habilitados para gerar um produto capaz de igualar-se em preço e qualidade aos melhores trigos do mundo. A produção de trigo já está voltando a ser um bom negócio para nossos agricultores.
E nossa população, que consome perto de 8 milhões de toneladas por ano de trigo, e com tendência de crescimento à medida que aumenta a urbanização, pode ficar tranquila que não se prevê escassez de trigo no mundo nos próximos anos. E esta é a nossa convicção: consumindo, sem saber, cada vez mais o produto gerado em nossa própria casa.

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