Tributo sem-vergonha Fernando Marrey Ferreira
O Estado, para prestar serviço público de boa qualidade aos súditos, necessita impor formas de arrecadar tributos da sociedade. Na era Real a carga tributária passou de 27% do PIB para 32% com tendência de alta, onerando a cadeia produtiva industrial, portanto depreciando a atividade produtiva, desaguando no desemprego em massa e gerando a violência social sem precedente em nosso cotidiano.
A pilhagem Estatal não propiciou dividendos em investimentos sociais, desta forma configura-se a pilhagem pois imposto deve ser cobrado e rapidamente retornar, através do menor percurso possível, como benefícios aos pagantes. A burocracia Estatal inoperante (cargos políticos distribuídos pelo poder central entre políticos da sustentação, só o PFL detinha ou detém 2000) emperrando e esfacelando o dinheiro tungado do povo; a burocracia fisiológia, moeda de troca entre políticos, constitui outra parte das distorções do destino tributário deste país desgovernado, próximo do Estado anárquico.
O pior Tributo é o sem-vergonha, a CPMF, cobrada na movimentação financeira incidente sobre o cheque de todos que o detém. O P é de provisório, mas está virando P de permanente para sustentar a promiscuidade dos interesses políticos - eleitoreiros dos que desfrutam de sua utilização, ao povo não retorna, portando mais um elemento a configurar a pilhagem do Estado frente seu povo domesticado pela fome. Além de tecnicamente inviabilizar a produção pois alucina a cascata, incide sobre todos os outros tributos e em toda a cadeia produtiva por onde transita, o príncipe do Brasil quando Senador defendia o imposto sobre grande fortuna, virou presidente da República e safou-se de dignamente implementar uma decente Reforma Tributária que urge.
Toda movimentação financeira dos súditos pode ser rastreada pelo poder central que pode utilizar-se destas informações privilegiadas como meio de destruir adversários políticos sonegadores. As empresa da Roseana Sarney pode ter sido alvo de investigação tributária via CPMF, e deu no que deu, matou a candidata. Independente do mérito de culpa, o dano político gerado pelo poder Executivo, Judiciário e Policial, é irreversível, o povo não perdoa. O PSDB traiu, foi desleal, com a anuência de caciques graúdos, destroçou o PFL. Política no Brasil é bandalheira institucionalizada, operada pelo Estado desvirtuado, o povo é mera massa de manobra eleitoral deixado a último plano, o que vale é o poder pelo poder.
É passada a hora de encerrar a sem-vergonhice promiscua dos operadores de nosso imposto, que os políticos federais com vergonha na cara, que honrem as calças que vestem encerrem a cobrança da CPMF. O povo não pode continuar a ser pilhado, desempregado e violentado pelos que os representam. O Congresso Nacional mostra que tipo de rumo deixará para o próximo mandato presidencial, a manutenção deste quadro tributário sempre sob constantes remendos indecorosos, mantendo a CPMF, ou sinalizando para uma estrutural Reforma Tributária votando contra a perpetuação da CPMF.
Ao povo resta rezar e protestar, nas ruas e nas praças contra os palacianos levianos é irresponsáveis pela inércia da mesmice. Que os políticos desbanquem este meio tributário de pilhar o povo auto agraciando, ou que povo destrone a politicalha aboletada no Planalto Central. Ação!
FERNANDO MARREY FERREIRA é advogado em São Paulo.





