Três passos
para reabrir
um hospital
José do Carmo Garcia
É extremamente difícil ocorrer qualquer reunião de lideranças regionais, na área em torno de Londrina, sem que alguém acabe cogitando da reabertura de um hospital que está em Cambé, tem o nome do município-pólo mas nasceu com o objetivo de colaborar na solução do problema hospitalar de toda a região. Trata-se do Hospital Londrina, que, depois de algumas tentativas de redirecionamento de suas finalidades, encontra-se fechado, em lamentável espetáculo de ociosidade de leitos hospitalares numa região tão carente de um melhor atendimento à saúde.
Implantado por volta de 1977, com capacidade para cerca de 250 leitos, o Hospital Londrina surgiu para ser um hospital metropolitano que iria dar atendimento aos previdenciários. No início, atendendo os segurados da previdência oficial, ele efetivamente proporcionava uma solução, ou ao menos amenizava o problema da assistência médico-hospitalar para os habitantes dos municípios de toda a região.
Esse tipo de atendimento continuou mesmo quando o hospital foi transferido para uma organização religiosa – o Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (Igase), do Rio de Janeiro. A instituição, no entanto, logo optou por seguir outro caminho – atender a clientela de um plano de saúde – a Golden Cross – e de instituições que oferecem cobertura médica e hospitalar a seus funcionários.
O novo caminho se revelou menos interessante que o original e o hospital acabou sendo fechado há cerca de dois anos. E assim permanece até hoje, motivando os frequentes questionamentos quanto à possibilidade de sua reabertura. Já existe até uma previsão de que o custo para sua reativação seria um investimento inicial de R$ 500 mil e um gasto mensal com manutenção em torno de R$ 250 mil.
A reabertura é uma possibilidade que existe, mas que não é tão simples quanto parece. Preliminarmente, não há como se fugir a uma reunião das lideranças dos municípios da região metropolitana que, com ou sem formalidades legais, sempre existiu em torno de Londrina, para definir se esses municípios têm ou não interesse em tal providência.
Não são necessárias respostas a muitas perguntas para se chegar a uma conclusão sobre a necessidade ou não da reabertura do hospital: cada município da região tem vagas hospitalares suficientes para sua própria demanda? Um novo hospital regional em Cambé aliviaria a pressão que hoje existe sobre as instituições locais e particularmente sobre o Hospital Universitário de Londrina? O hospital situado em Cambé não poderia funcionar como uma instituição de apoio, prestando atendimento aos casos menos complexos, o que ampliaria a capacidade do HU e de outras instituições melhor equipadas, como a Santa Casa de Londrina, para o atendimento de ponta?
Respondidas negativamente a primeira e positivamente as duas outras perguntas, o segundo passo, decisivo, seria um contato com a instituição – o Igase – que tem a propriedade do prédio (hoje o hospital não é muito mais do que o edifício). Seus dirigentes não têm demonstrado nenhum interesse na reabertura. Mas é extremamente improvável que eles prefiram deixar um prédio como aquele fechado, se deteriorando, ao invés de arrendá-lo, alugá-lo ou mesmo vendê-lo, se for pelo preço de mercado e não pelos R$ 6 milhões que pediram na última vez em que se discutiu com eles o destino daquela obra.
Cumprida essa segunda etapa, bastaria uma única providência para tornar possível a reabertura do antigo Hospital Londrina, preferencialmente com um novo nome, mais compatível com sua destinação: todos os interessados se unirem na luta com aquele objetivo. Porque se continuarmos cada um indo sozinho atrás de recursos para soluções locais, para esta ou aquela instituição, com certeza, por falta de apoio político, jamais será reaberto o hospital que está em Cambé mas interessa a todos nós. E provavelmente aqueles que estiverem indo sozinhos buscar soluções isoladas também voltarão de mãos abanando. Ou todos nos unimos para puxar a corda numa única direção ou continuaremos todos amargando o problema da falta de vagas hospitalares. Com um hospital de 250 leitos desativado em Cambé.
- JOSÉ DO CARMO GARCIA é prefeito de Cambé e presidente da Federação das Associações de Municípios do Estado do Paraná (Femupar)

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