Três anos depois de cassado, Belinati prepara campanha
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sábado, 21 de junho de 2003
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Há exatos três anos, Antonio Belinati entrava para a história política de Londrina como o primeiro prefeito com o mandato cassado pela Câmara de Vereadores da cidade. No dia 22 de junho de 2000, por 14 votos a seis, os vereadores aprovaram o relatório da Comissão Processante (CP) que constatou gastos excessivos na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI), e colocaram fim ao terceiro mandato de Belinati como chefe do Executivo londrinense.
Como reflexo da cassação, através da lei 64/90, Belinati se tornou inelegível por três anos a contar do final do mandato, período que se encerra no dia 31 de dezembro. Ou seja, a partir de primeiro de janeiro de 2004, o ex-prefeito poderá se candidatar a qualquer cargo público.
E ele já está em campanha. No dia 27 de dezembro Belinati lançou sua pré-candidatura às eleições de 2004. Para solidificar suas intenções, o ex-prefeito tem realizado constantes reuniões com eleitores e busca atrair seus antigos correligionários. Nos dois programas que faz diariamente na Rádio Londrina, ele deixa claro seus objetivos. Belinati sempre comenta o que está acontecendo na cidade e, invariavelmente, faz críticas ácidas ao desempenho do atual prefeito Nedson Micheleti (PT).
Em uma de suas últimas entrevistas ele disse: Tenho a felicidade de dizer que sou um ex-prefeito que não tem nenhuma condenação na justiça por improbidade. Fui julgado até agora pelos meus adversários e quero ser julgado pelo povo, submetendo o meu nome ao povo, afirmou na ocasião. A Folha procurou o ex-prefeito durante a última semana, mas Belinati se recusou a falar no processo de cassação. Desde a cassação não ocorreu nada de novo, justificou o advogado dele, Antonio Carlos de Andrade Vianna.
Apesar do ex-prefeito afirmar não ter nenhuma condenação por ato de improbidade administrativa, hoje, das 36 ações civis e criminais ajuizadas contra Belinati pelo Ministério Público (MP), duas delas já foram sentenciadas pela justiça londrinense. Em novembro de 2000, o juiz da 6ª Vara Cível, Celso Saito, suspendeu os direitos políticos de Belinati por oito anos e o condenou a devolver os vencimentos que recebeu indevidamente como conselheiro da extinta Comurb (hoje CMTU), enquanto ocupava seu segundo mandato como deputado estadual. Em maio, a juíza Cristiane Ferrari também sentenciou o ex-prefeito a cinco anos de suspensão dos direitos políticos e ainda uma multa de quase R$ 800 mil, devido a sonegação de informações a munícipe. A elegibilidade de Belinati somente poderá ser reestabelecida porque a condenação por ato de improbidade só será aplicada após esgotados os recursos.
Mesmo antes da cassação, a trajetória política de Belinati já chamava a atenção. Em 1976, após um mandato como vereador (1968), o então radialista se elege prefeito pela primeira vez. Conquistaria o cargo também em 1988 e 1996. Ele ainda foi eleito deputado federal (1974) e duas vezes deputado estadual (1986 e 1994).
Na última década a força do ex-prefeito também foi sentida no restante do Paraná. Ele elegeu a mulher, Emília Belinati, deputada estadual e depois a fez vice-governadora nos dois mandatos de Jaime Lerner.


