Trem da alegria é o novo mico
Lula não vai apoiar trem da alegria, diz a notícia que os jornais estão divulgando hoje, sobre uma proposta em tramitação na Câmara que pode efetivar cerca de 260 mil funcionários sem concurso. Mais uma imoralidade por parte dos deputados que, como tantas outras, já não surpreende. Não surpreende mas agride.
Sobre a decisão do presidente Lula de que não vai apoiar o trem da alegria, cada um que acione o seu desconfiômetro.
Não dá para fincar o pé no ceticismo e resumir tudo naquela frase popular Me engane que eu gosto. Pode haver uma ponta de sinceridade nessa posição do Palácio do Planalto. Afinal, o governo Lula - e não necessariamente o presidente por deliberação pessoal - já abrigou tantos aliados, deu emprego para tanta gente em cargos comissionados que é impossível imaginar que ainda exista alguém na fila. Até porque no caso trata-se de efetivação.
A pergunta a ser feita é a seguinte: Lula não vai apoiar mas vai propor que se faça por vias legais? Qual é a posição? Vai vetar?
A resposta pode ser encontrada na seguinte informação que circulava ontem e que expressa toda uma situação de sabedoria e esperteza política. Diz a informação da Folhapress: Para Lula, não se deve haver um acordo para aprovar a medida que está em discussão no Congresso, mas é necessário achar uma solução para a situação dos funcionários. Os funcionários agradecem. Captaram a mensagem e agradecem.
É preciso ressalvar que se o trem da alegria não amplia a grande massa de funcionários - são cargos não efetivados - ele também não tem a legitimidade dos concursos. E os funcionários querem a efetivação.
Outra ressalva é que o assunto não é novo. O projeto, de 1999, dá estabilidade a cerca de 60 mil funcionários contratados sem concurso entre 1983 e 1988, quando a Constituição estabeleceu que o ingresso no serviço público depende de aprovação em concurso. Os outros 200 mil vieram logo em seguida.
A efetivação de gigantesca legião de servidores é o novo mico para o Congresso. Um choque com a legislação se avizinha e ninguém quer se expôr nesse embate. Não por enquanto, mas logo logo será bandeira de campanha.





