Curitiba O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná divulgou ontem os detalhes sobre o processo que resultou na cassação pelos próximos três anos dos direitos políticos do deputado estadual Luiz Carlos Alborghetti (PTB), votado na última terça-feira. O abuso do poder econômico e uso indevido de meio de comunicação social foram caracterizados porque o deputado teria anunciado sua candidatura antes do período de propaganda e, em seu programa de televisão, pediu votos e anunciou a distribuição de 40 mil kits escolares na região do Norte, capital e Região Metropolitana e litoral.
Alborghetti teria divulgado imagens da doação efetuada à população carente, o que a Justiça Eleitoral julgou um fato ''em desfavor do princípio da igualdade na disputa eleitoral e da liberdade do voto''. O voto que definiu a condenação foi da juíza Claudia Cristina Cristofani, que lembrou que no mesmo programa Alborghetti ''divulgou pesquisa eleitoral para governador sem mencionar registro e fonte, alardeou a campanha de Alvaro Dias, fez aberta propaganda de seu repórter Rubinho Caldareli para vereador de Londrina, de Osmar Dias para o Senado, propalando que não estava mandando santinho com os kits escolares para não criar problema com a Justiça Eleitoral, etc. De um só golpe, em tese, parece ter incidido em vários dispositivos da legislação eleitoral com sem-cerimônia ímpar!''
O próprio deputado teria declarado que foram doados dez mil de um total de 40 mil kits escolares, cada um composto por quatro cadernos (matemática, português, caligrafia, desenho), lápis de cor, borracha, régua e o apontador, doação amplamente divulgada em programa de televisão. A defesa teria alegado que se tratava de promoção pessoal, o que, segundo a juíza, comprovadamente não foi o caso. ''Fazia-se propaganda eleitoral explícita, com pedido claro de voto, menção ao cargo e ano da eleição, bem como formulação de proposta, de contorno assistencial, com sem-cerimônia atualmente rara e afronta direta à lei.''
A Folha tentou conversar novamente com o deputado Alborghetti ontem à tarde, mas não conseguiu contato em seu gabinete, no telefone celular e nem com seu assessor jurídico.

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