Tratar do delinquente com antecedentes
O major Sérgio Dalben, chefe da área de pesquisa e planejamento do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Londrina, faz importante revelação de números sobre a delinquência e propõe uma tarefa muito especial aos estudiosos do comportamento humano e das pessoas envolvidas com a criminalidade e reincidentes nessa prática. Ele demonstra que a grande maioria das vítimas de assassinatos na cidade, no ano passado, tinha antecedentes criminais, e sua proposta é que se cuide desses delinquentes antes que cometam novos crimes ou sejam mortos. Eles são, portanto, conhecidos e identificáveis, e podem receber tratamento que os liberte dessa condição. Porque um criminoso é também uma vítima. Este o ponto a discutir e que se consubstancia na proposição que faz o major. Ele afirma que crimes podem ser evitados se houver políticas públicas de atendimento a pessoas com tais antecedentes. Obviamente que essas políticas existem, apenas precisando ser acionadas, e esta não é tarefa apenas da Polícia, por via da repressão e do encarceramento, mas deve envolver os especialistas em tão delicada questão e todo o conjunto da sociedade. O fato de a idéia partir de um policial, portanto um agente experimentado no trato das questões da delinquência, robustece o entendimento já sedimentado de que os caminhos de recuperação desses indivíduos apontam para fórmulas como esta que ele propõe. A sociedade, se tem o direito de ser protegida porque paga para isso, em forma dos múltiplos impostos deve saber que precisa participar ainda mais dos meios de solução na questão da segurança, porque o problema tem fugido do controle do sistema repressor. A idéia é fomentar discussões que possam auxiliar na criação de novas formas de atendimento àqueles que já tem antecedente criminais e às suas famílias. Este o entendimento do major Dalben. Ele afirma que o trabalho da Polícia Militar está sendo feito, mas que apenas isso não é suficiente para prevenir novos crimes, especialmente os contra a vida. Os cidadãos clamam por mais policiamento e mais presídios necessários, porque, como primeira medida, é preciso isolar do meio esses praticantes de atos anti-sociais mas ocorre que a maioria está em liberdade (pela limitação do tempo de pena dos delitos cometidos), há que debruçar-se paralelamente a outras fórmulas de solução, e a mais sábia é a de dar atendimento a esses 'portadores' de fichas policiais, visando ressociá-los. A idéia deve ser acatada e levada adiante, para que não se perca e não se limite a essa reveladora informação sobre a antecedência criminal e não passe de manchete de jornal.





