A criação de leitos em enfermarias especializadas para tratamento de usuários de crack é uma boa notícia, porém ficará restrita a poucos municípios. Pela portaria 121/2012, do Ministério da Saúde, as unidades deverão ser instaladas apenas em municípios ou regionais de saúde com população igual ou superior a 200 mil habitantes. Desta forma, apenas oito cidades paranaenses estarão aptas a receber unidades específicas para tratamento de dependentes: Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Cascavel, Colombo e São José dos Pinhais.
Para atendimento de jovens com até 18 anos, o raio de atuação é ampliado para municípios com população igual ou superior a 100 mil pessoas. No Estado, 18 cidades poderão disponibilizar o tratamento, ou 5% do total. Pesquisa já divulgada pela Confederação Nacional dos Municípios apontou que o crack está presente em 98% dos 4.430 municípios brasileiros pesquisados (de um total de 5.565). É um número muito grande e mostra que a droga se tornou, de fato, um problema de saúde pública. Por isso, há a avaliação de que o número de municípios beneficiados deveria ser ampliado.
O crack é uma mistura de pasta-base de cocaína com bicarbonato de sódio e água e é considerado uma droga barata. De efeito rápido e com alto poder viciante, o seu consumo tem crescido muito rapidamente nos últimos anos. Tanto que em 2011 o volume de apreensões de crack e cocaína feito pelas polícias Federal, Rodoviária Estadual e Rodoviária Federal aumentou 86%. O índice corresponde a 2,8 toneladas de drogas que deixaram de circular pelo Estado.
Ao todo o governo pretende investir cerca de R$ 670 milhões nas enfermarias especializadas (unidades de acolhimento), que estarão localizadas em hospitais gerais de todo o País. A portaria prevê ainda o tratamento dos usuários internados de maneira voluntária por até seis meses. A medida é interessante porque vai atuar no tratamento da doença, deixando o combate às drogas apenas como política de repressão. É importante que os dependentes recebam também um tratamento humanizado, podendo a medida, inclusive, contribuir para a redução do preconceito.

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