O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, obteve o apoio da presidente Dilma Rousseff para enfrentar as denúncias de corrupção que teriam sido cometidas, segundo ele, por seus subordinados. Mas hoje o ministro terá que convencer também os membros da comissão de Agricultura do Senado. Rossi vai participar da reunião com a missão de convencer os senadores de que não sabia das supostas irregularidades na sua pasta.
As denúncias que chegaram a público pela imprensa são muitas. Vão desde desvio de dinheiro público a loteamento de cargos na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os escândalos começaram no final de julho, depois que o então diretor-financeiro da companhia, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, foi exonerado do cargo sob a acusação de ter liberado pagamento irregular de R$ 8 milhões a empresas laranjas.
Também há denúncias de descontrole de gastos no ministério, de atuação de um lobista dentro da pasta, loteamento de cargos para apadrinhados da cúpula do PMDB, contratação de funcionários sem concurso público e uso da Conab para fins eleitorais.
A presidente agiu rápido na crise do Ministério dos Transportes. Demitiu quase 30 pessoas e chamou a ação de ''faxina'', irritando os alidos do PR, partido do ex-ministro Alfredo Nascimento. Dilma Rousseff afirmou que o seu governo combateria a corrupção de forma sistemática, mas disse que não se pautaria por medidas midiáticas. Um recado para quem esperava rápidas punições após as denúncias contra Wagner Rossi.
Com a Agricultura, pasta controlada pelo PMDB, principal partido aliado do governo, a presidente adotou uma posição mais cautelosa e defendeu publicamente Wagner Rossi. Porém, a cobrança por explicações está crescendo. Ontem, diante de mais uma denúncia na onda de escândalos que atinge o Planalto, com a prisão do secretário-executivo do Ministério do Turismo por desvio de dinheiro público, a oposição colhe assinaturas para a criação da CPI da Corrupção. Mais uma dor de cabeça para Dilma.

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