Qual o sentido da existência humana? Qual a missão do homem na Terra? Essas perguntas filosóficas estão na cabeça de muita gente e são fruto de pesquisas e teorias em diversos ramos da ciência e nas mais diferentes religiões. Uma das linhas de pensamento que utilizam essa problemática é a logoterapia, corrente que alia psicologia e filosofia em terapias comportamentais.
O objetivo é usar princípios filosóficos para ajudar o indivíduo a pensar sobre essas e outras questões, e refletir sobre sua existência e papel na sociedade. A psicóloga Judite Faria Caetano de Paula explica que, mais do que entender o porquê de certos comportamentos humanos, é necessário que o paciente pense sobre suas escolhas e atitudes para que coloque mudanças de comportamento em prática.
''Por isso a psicologia e a filosofia estão juntas nessa linha de pensamento. Só depois que a pessoa pensa sobre suas atitudes ela aceita mudar'', explica a profissional, que utiliza a logoterapia no atendimento aos seus pacientes em Londrina. Ela acrescenta que o maior diferencial dessa corrente é que o foco não é voltado apenas para o ''eu'' de cada paciente, mas existe a preocupação com a relação de cada um com a sociedade.
O que a filosofia e a psicologia têm em comum para que possam ser trabalhadas juntas?
Elas são muito próximas. A filosofia é mãe de muitas ciências, até mesmo da psicologia. Depois houve a separação, porque algumas linhas deram mais ênfase ao comportamento. Assim sendo, se você tratar a análise do comportamento humano como linha de pesquisa, isso é psicologia. Se você trabalha com o ''pensar'' e a origem da existência humana, você trabalha filosofia. A filosofia faz esse movimento de pensar e refletir, e a fala é o elemento usado como análise em uma terapia. Então, se você usar essas duas linhas (análise do comportamento e reflexão) para mudar o pensamento do indivíduo, você consegue ver uma mudança de atitude.
De onde surgiu essa linha de pensamento?
Foi (o austríaco) Viktor Frankl (1905-1997), prisioneiro de campo de concentração, na Segunda Guerra Mundial, que lançou essa teoria. Frankl era médico neurologista e começou a perceber um índice grande de suicidas entre pessoas relacionadas à guerra, então começou a trabalhar nessas questões profundas do sentido da vida.
É uma linha diferente de (Sigmund) Freud (1856-1939) porque a linha freudiana não leva em consideração, dentro da psiquê humana, a parte espiritual do indivíduo. Já a logoterapia quer tratar da alma das pessoas. Frankl também introduziu a teoria do ''vazio existencial.'' É uma depressão que acomete o ser humano, mas não por um problema orgânico. É muito comum em pessoas que sofrem com crises existenciais, por isso tratar com psicologia e filosofia pode ser mais eficiente.
Em quais casos a logoterapia é aplicável?
Esta teoria é aplicável em todos os casos. Psicóticos, neuróticos e todos os tipos de patologias e não patologias. Como ela é reconhecida como uma vertente da psicologia, existem várias técnicas aplicáveis. E essas sim, eu uso conforme o caso e a necessidade de cada paciente. Mas a teoria, em si, é aplicável a qualquer pessoa.
A senhora pode citar um exemplo concreto de como a logoterapia pode ser mais indicada do que outras vertentes da psicoterapia?
Hoje o Mal do Século são a depressão e as crises existenciais, ou seja, pessoas que sofrem por não saber o sentido da vida e que querem descobrir qual é sua função no mundo. Por isso, a reflexão e as linhas filosóficas devem estar presentes na terapia. Isso porque você tem que ajudar a pessoa a pensar sobre sua existência e chegar a um resultado. Nesse caso a logoterapia ajuda mais, porque usa linhas filosóficas para esclarecer dúvidas do paciente. Até por isso esse ramo da psicologia é muito bem-visto por algumas religiões, apesar de não ter ligação com nenhuma. Porque a religião tem a intenção de ''salvar'' almas e logoterapia busca curar almas, assim como se faz com qualquer doença do corpo.



A filosofia é mãe de muitas ciências, até da psicologia


Religião tem a intenção de ‘‘salvar’’ almas e a logoterapia busca curá-las

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