Se um sistema não serve à sociedade, deve ser extinto, e essa atitude sumária deveria ser prerrogativa das supremas cortes. Caso do pedágio, que, implantado no Paraná há 7 anos, só tem feito encarecer a vida dos motoristas e por extensão a dos cidadãos, porque as mercadorias transportadas por veículos de carga também foram atingidas em seu custo final. O benefício do pedágio é insignificante face ao elevado ônus, porque a sangria motivada pela sua implantação é grande e, ademais, para manter estradas basta o dinheiro dos impostos pertinentes. Ocorre que nem essa conservação as concessionárias estão fazendo a contento, embora as fortunas que levantam. Não houve um dia, desde que o pedágio foi implantado, que não houvesse alguma forma de lamentação contra esse mastodonte impingido ao povo pelo então governador Jaime Lerner. Quarta-feira foi lançado no Paraná o Fórum Popular Contra o Pedágio, integrado por representações das categorias que utilizam as estradas com mais frequência, por centrais de trabalhadores, sindicatos e partidos políticos. As ações previstas serão protestos nas rodovias e nas cidades, como forma de conscientizar e mobilizar a população quanto à afronta institucionalizada que a cobrança do pedágio representa. Porque houve uma apropriação de bens públicos, que eram as estradas pertencentes ao povo e que foram entregues pelo Governo às concessionárias, para que delas fizessem uso e cobrassem de todos que as utilizassem. Esse Fórum foi o mesmo que iniciou a mobilização contra a venda da Copel proposta também por aquele governante e só não concretizada porque não houve interessados na compra. O propósito da nova investida contra o pedágio é unir a população, personalidades públicas, dirigentes de classes, com o intuito de pressionar o Poder Judiciário a tomar uma atitude contra a instituição do pedágio no Paraná. (O governador Roberto Requião, em momento inspirado, resolveu retirar a idéia da criação de seus próprios pedágios, e isto restabeleceu-lhe a autoridade para protestar contra os existentes). O modelo esdrúxulo do pedágio implantado no Paraná tumultuou as próprias interpretações da Justiça, uma delas a que diz respeito à obrigatoriedade das rodovias alternativas. Ocorre que as próprias estradas pedagiadas seriam as alternativas se as concessionárias construíssem estradas novas, como estabelece o sistema universal dos pedágios. Mas tal não ocorreu no Brasil e por extensão no Paraná, por ignorância das autoridades governamentais, ou outras razões não sabidas. Um enclave implantou-se: o real, representado pelo reduto cobrador e que pode caracterizar-se como um assalto regulamentado em contrato, e o legal, que está confundindo a própria Justiça.

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