Curitiba - A psicopatia é tema de estudos em todo o mundo, mas ainda são incertos os detalhes do pensamento dos portadores desse transtorno de personalidade. O psicólogo canadense Robert Hare, professor da University of British Columbia, em Vancouver, é especialista no assunto e identificou, em 1991, os critérios para diagnosticar os portadores da psicopatia, procedimento adotado universalmente.
  Ele está em Curitiba para participar da 40ªReunião Anual da Sociedade de Psicologia, que ocorre até sábado, na Expo Unimed. O trabalho de Hare é bastante reconhecido na mídia norte-americana. Recentemente um dos estudos realizados pelo profissional foi abordado em um episódio do seriado ‘‘Os Sopranos’’. Além disso, ele fez uma consultoria para a atriz Nicole Kidman na época que ela fez uma psicopata no filme ‘‘Malícia’’.
  Os casos de psicopatia são mais comuns do que imaginamos?
  Provavelmente não. Mas o número de pessoas com características moderadas de psicopatia é mais comum. A psicopatia é muito ampla, e muitas pessoas apresentam uma séria de etapas, mas não evoluem para o estágio mais avançado. No entanto, também podem apresentar problemas.
  A maioria dos casos de psicopatia acontece em homens?
  Não temos como ter certeza. Talvez não seja. Mas as mulheres não foram tão estudadas quanto os homens. Existe uma expectativa de como a mulher reage. Espera-se que ela aja de uma maneira e o homem de outra na sociedade. Então as características psicopáticas da pessoa, tanto homem quanto mulher, irão se expressar de maneiras diferentes. A mulher tem mais o papel de acolhedora, de carinho. Isso influencia.
  Como reconhecer que alguma pessoa passa pelo transtorno na infância ou adolescência?
  Os pais e os professores podem reconhecer estas características a partir dos 6 anos de vida. Mas não são traços psicopáticos ainda, são apenas características que predizem o desenvolvimento do transtorno. Mesmo que os pais percebem estas características, é muito difícil avaliar no começo.
  Como realizar o tratamento depois de descoberta a patologia?
  Não existe uma norma. Primeiro tem que reconhecer que há um problema. Muitas vezes os pais são um pouco culpados. Os pais descobrem que há um problema, mas interagem de maneira errada com a criança. Isso pode piorar. As provas mostram muito fortemente os traços genéticos que caracterizam a psicologia que levaria à psicopatia. Não sentir culpa e individualismo são alguns dos fatores. O psicopata se acha perfeito e acha que ele não precisa mudar. É importante começar o tratamento na idade ainda precoce, para não termos que lidar com o produto ruim. Porém, as formas de tratar ainda não são eficazes. Os programas são baseados em criminosos em geral.
  A pré-disposição genética é um fator que influencia diretamente no psicopata. Traumas no decorrer da vida podem potencializar essa característica?
  A genética é muito importante. Mas coisas no ambiente podem excitar o gene. Ninguém nasce um psicopata, mas o ambiente onde vive tem uma influência muito grande. As experiências na vida de uma pessoa podem fazer com que ela se pareça com um psicopata. Abusos de qualquer forma, pais ruins, traumas na infância, podem criar alguém com uma aparência de psicopata. Essas pessoas podem ser tratadas, pois não são psicopatas de verdade.
  Determinada situação pode acentuar os efeitos da psicopatia?
  Um dos meus colegas trabalha no FBI (polícia dos Estados Unidos) e estuda o assassinato de pessoas idosas. Muitas vezes o psicopata entra na casa apenas para roubar. Mas, por envolver maior adrenalina e emoção, ele acaba tornando o crime sexual e fatal.
SERVIÇO
40ªReunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia

Local: Expo Unimed - Universidade Positivo - Curitiba

Data: até amanhã - Informações: www.sbponline.org.br

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