TRANSTORNO - Convivendo com o pânico
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Ansiedade fora de controle, coração acelerado e sensação de morte iminente: sintomas da síndrome do pânico, distúrbio cada vez mais comum acarretado pela loucura do mundo moderno. Quem sofre com o mal vive em constante insegurança, pois não sabe se as crises vão se manifestar novamente em minutos, horas, dias ou meses. Em entrevista à FOLHA, a psicóloga especialista em fobias Adriana de Araújo, explica quais os principais sintomas da síndrome do pânico e as alternativas de tratamento para uma das principais doenças do século XXI.
Como identificar a síndrome do pânico?
Tem alguns sintomas. Normalmente é uma ansiedade muito aguda, em que a pessoa não consegue se controlar. Mas existe uma diferença entre síndrome do pânico e uma ansiedade específica como a fobia. Muitas pessoas confundem, acham que ter um medo de cachorro, por exemplo, é uma crise de pânico. Não é a mesma coisa. O pânico não é específico, a pessoa tem a sensação que é do nada, é desencadeado por qualquer coisa externa e não um fator pontual. Os sintomas aparecem de forma súbita, atingindo o pico da crise em dez minutos. Os sinais mais comuns são taquicardia, tremor, respiração ofegante, raciocínio atrapalhado e uma sensação geral de mal estar tão grande que ela vai parar no hospital achando que vai morrer. Nessas horas, é muito importante fazer exercícios de respiração, conscientização corpórea, saber que é mais uma fantasia do que realidade. Tem que trabalhar o psiquismo e o corpo, porque a pessoa tem um desgaste muito grande para conseguir se controlar.
É mais fácil uma outra pessoa perceber que alguém está com a síndrome?
Não. Com o tempo, a própria pessoa identifica e percebe. Nem o marido, a esposa conseguem perceber. O ideal é que a própria pessoa tome consciência para melhorar. A partir daí ela mesma vai identificar os problemas, sentir que está com a síndrome e procurar ajuda. É muito frequente que as crises sejam acompanhadas pela sensação de que algo trágico como a morte súbita ou o enlouquecimento estão para acontecer, o que traz tamanha insegurança. A qualidade de vida do paciente fica seriamente comprometida.
Pode acarretar outras doenças?
Como é fruto de uma ansiedade, pode levar à depressão, porque a pessoa se afasta, se isola e deixa de se comunicar de uma forma saudável com as pessoas.
Existe um gênero em que os casos são mais comuns?
Normalmente acontece mais em mulheres, mas não se sabe dizer exatamente o motivo para isso. É só uma constatação de números.
Tem idades mais propícias?
Criança com síndrome do pânico não é muito comum, é mais para adultos. Principalmente nestas situações de stress, violência, muita pressão no trabalho e pelo fato de não ter uma vida regrada. Se ele não leva uma vida equilibrada, esta outra parte acaba se desequilibrando também.
Existe um tratamento eficaz?
O primeiro passo é fazer um reflexo da vida dela, ver o que pode mudar. A primeira vez que tiver uma crise, não é recomendado que faça tratamento, porque pode ser a única crise. Se ocorrer mais vezes, aí ela tem que procurar tratamento. Como na maioria dos transtornos psiquiátricos, as alternativas são o tratamento de hipnose, psicoterapia e medicação indicada por um psiquiatra que vai estudar o caso e recomendar a medicação mais apropriada. O ideal é integrar todos estas medidas.


