Baixar a passagem do ônibus urbano em Londrina de R$ 2 para R$ 1,99 trará mais problema que solução, por causa do troco de 1 centavo. Valor que resolve pouco para o passageiro e gerará transtorno porque as empresas certamente não terão suficiência dessa moeda. A nova tarifa sugerida é da Comissão Especial de Investigação da Câmara Municipal, que há vários meses estuda a planilha.
  Mas uma questão mais relevante que vem à tona é que o relatório parcial da Comissão se defronta com suposta superavaliação de custos das duas companhias que exploram o serviço. Começa por desencontro de informações quanto aos preços dos veículos, porque os apresentados pelas empresas são superiores a compras idênticas feitas pelo Governo do Estado. O óleo diesel baixou com relação ao ano passado e o tempo de durabilidade do pneu novo e mais duas recapagens seria de 180 mil quilômetros e não dos 105 mil mencionados pelas empresas – que estão solicitando aumento da tarifa.
  O valor de R$ 1,99 seria então suficiente e já inclui o aumento de 6% referente ao Indice Nacional do Preço ao Consumidor requerido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Londrina. Essa entidade estaria fazendo pressão para aumento da tarifa, mas seus dirigentes negam isso. Uma ideia que paira no ar é demitir os 430 cobradores do sistema e assim a tarifa poderia baixar para R$ 1,65, mas isso geraria um problema social, prejudicando pelo menos 1.500 pessoas no total somando-se os dependentes de cada empregado. O ex-prefeito Nedson Micheleti autorizou no final do mandato o aumento da tarifa para R$ 2,25, mas a Justiça negou o reajuste. A elevação abrupta, no apagar das luzes da administração, causou estranheza. O prefeito Homero Barbosa Neto chegou a admitir uma correção para mais, porém recuou depois que se instalou a Comissão da Câmara. Porque a planilha do transporte coletivo urbano é complexa e abrange grande número de itens relacionados com custo e receita. Não é, portanto, algo que possa ser discutido de afogadilho e decidido numa penada como fez o prefeito anterior.
  O poder público municipal precisa, paralelamente, atentar também para o problema da superlotação nos horários de pico, porque metade dos passageiros tem de ficar em pé, espremendo-se. Pessoas idosas ou doentes são as mais prejudicadas. As empresas têm de suprir com mais ônibus esses horários. Se isso sobrecarrega o custo operacional, há também mais receita. Este é um ônus do negócio e os usuários têm de ser bem atendidos. Ou então que se cobre tarifa reduzida para quem tem de viajar nessa condição.

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