A queda no número de usuários do transporte coletivo não é novidade no Brasil e a tendência é percebida há vários anos. Segundo pesquisa da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), 12,5 milhões de brasileiros deixaram de se deslocar de ônibus urbano no último ano, quando se compara abril de 2019 com o mesmo período de 2018. As informações fizeram parte do anuário 2018/2019.

Em Londrina não é diferente. A cada dez viagens realizadas no município, somente duas são com ônibus. Foi o que apontou a pesquisa de origem e destino, parte fundamental do Plano de Mobilidade Urbana de Londrina. Ela foi iniciada em fevereiro e finalizada recentemente. Os dados serão apresentados no próximo sábado (26) em uma audiência pública na sede do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina.

Na edição desta sexta-feira (25), a FOLHA adianta alguns dados da pesquisa, que ouviu ao longo dos últimos meses 20.379 pessoas.

O resultado do estudo mostrou que as viagens em transporte individual representam 57% do total diário, as de transporte coletivo 19% e as não motorizadas 24%. Ou seja, de cada dez viagens em Londrina, somente duas são com ônibus. São 823 mil viagens ao dia, em que 196 mil são a pé (23%) ou bicicletas (1%). O restante, 627 mil (76%), são com veículos motorizados.

As classes sociais com maior renda são as que mais utilizam os carros e que fazem mais viagens, enquanto as de menor poder aquisitivo dependem dos ônibus e fazem percursos com menos frequência. A maior parte dos deslocamentos, 69%, são por motivo de trabalho e educação, em que o primeiro motivo representa 41% deste montante.

A queda no número de usuários do transporte público londrinense preocupa, pois fica atrás de cidades do mesmo porte, como Joinville (SC) e São José dos Campos (SP). Os aplicativos ou táxi não interferem nesse índice, segundo a prefeitura, pois elas representam apenas 2% do total de locomoções diárias.

Analisar os dados da pesquisa e entender as razões que levaram a população a desistir de usar o ônibus urbano é uma forma de reverter a situação. É claro que os reflexos da crise econômica, principalmente o desemprego, devem ter contribuído para a queda na demanda. Mas é preciso levar em conta os investimentos que foram feitos no setor, a qualidade do serviço prestado e o preço da tarifa.

Para fidelizar o usuário e reconquistar quem abandonou o serviço é preciso que os benefícios e as facilidades sejam evidentes. O transporte coletivo ajuda a melhorar o trânsito da cidade e a reduzir a poluição. Mas itens como pontualidade, segurança, conforto e agilidade ainda são um desafio para os gestores.

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