Transporte público e qualidade
O transporte coletivo é um dos assuntos que mais gera debates entre a população. Alvo constante de manifestações, seja pelo aumento da tarifa ou pela qualidade do serviço prestado, é fato que o serviço precisa ser repensado no País. Reportagem de ontem desta FOLHA discutiu o assunto. A quantidade de usuários que têm direito a isenções ou descontos tem caído nas duas principais cidades do Paraná: Curitiba e Londrina. Curioso constatar ainda que na capital o número de pessoas que utiliza o sistema caiu nos últimos quatro anos.
É fato que o crescimento econômico registrado nos últimos anos, aliado a uma política de incentivo ao consumo, concessão de crédito a pessoas físicas e isenções de impostos à indústria automobilística, fez crescer exponencialmente a frota nacional. Se a maioria das famílias agora tem um carro ou uma moto na garagem de casa, dificilmente as pessoas continuarão a utilizar o ônibus como principal meio de locomoção. Se a população ganhou mais conforto, também não se pode esquecer que o trânsito das cidades piorou muito. A infraestrutura urbana não foi preparada para receber tantos veículos.
Por isso, é fundamental que sejam promovidos investimentos no sistema de transporte público e que seja implantada uma política de incentivos aos usuários. Infelizmente, hoje somente as pessoas que não têm outra opção de locomoção é que utilizam o sistema. Ao passo em que a qualidade melhorar, mais pessoas serão adeptas do transporte coletivo. Por isso, o sistema público tem que ser privilegiado nas cidades. Faixas exclusivas, a exemplo do que ocorre em Londrina, ou o BRT, já implantado em Curitiba, incentivo ao uso das bicicletas nas cidades são algumas das ações a serem feitas.
Se ao longo da história recente do País não houve incentivo ao transporte público, o próprio caos instalado atualmente no trânsito das médias e grandes cidades indica que o caminho a seguir deve ser outro.





