Em tempos de aplicativos, o transporte público precisa se reinventar. Enquanto, apesar da crise, a frota de veículos no País cresce, o número de usuários do transporte coletivo cai na maioria das médias e grandes cidades. Somado a isso, a popularização dos serviços de aplicativos contribui para a necessidade das administrações municipais repensarem com urgência como tornar o ônibus, metrô ou trem mais atraentes para o cidadão, principalmente no deslocamento de casa para o trabalho ou escola.

Reportagem especial da FOLHA neste fim de semana (24 e 25) mostrou os desafios para que o ônibus continue sendo o meio de transporte mais popular do País. Não é apenas facilitar as idas e vindas dos habitantes. O transporte público também tem as funções de desafogar o trânsito e contribuir para a preservação do meio ambiente.

Não é uma missão fácil. A frota de veículos no Brasil superou a marca de 100,7 milhões de unidades, somando todas as categorias. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referentes ao ano de 2018 apontam um crescimento contínuo desde 2010, quando o número era de 64,8 milhões.

Essa quantidade de veículos nas ruas é resultado de uma maior concentração populacional, da crescente necessidade de deslocamento, do desenvolvimento econômico e da ampliação do uso dos aplicativos de transporte.

Um levantamento feito pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos mostra que o ônibus vem apresentando uma redução de 420 mil usuários a cada dia, em média, no Brasil. No último mês de abril, foram transportadas 280,9 milhões de pessoas contra 293,4 milhões no mesmo mês de 2018.

Um transporte público com qualidade, pontualidade e preço competitivo tem que estar previsto nos projetos de infraestrutura. É uma condição essencial para as cidades inteligentes. Até mesmo Curitiba, que foi exemplo nessa área, sofre para retornar ao posto de cidade modelo em inovação para transportes.

Se os municípios brasileiros não priorizarem o transporte público, em poucos anos a mobilidade urbana dará lugar ao caos. É preciso encontrar formas de priorizar o ônibus nas ruas, aumentar a segurança, a quantidade de veículos e as linhas. Especialistas sugerem baixar o preço da tarifa fora dos horários de pico e convocam os empresários a participar dessa empreitada, adotando horários alternativos para que suas equipes não precisem entrar e sair do trabalho às 8 e 18 horas; utilizando o modelo home office quando possível e incentivando o uso de modelos alternativos como bicicleta e patinetes.

Cada vez fica mais claro que o desafio de construir cidades inteligentes com soluções sustentáveis para a mobilidade urbana depende muito de gestão pública. Mas só funcionará com o engajamento da população e da classe empresarial.

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