Transporte por trem diminui no Paraná
O Brasil é um país de estradas, característica que se acentuou a partir dos anos 1950, quando o então presidente Juscelino Kubitschek afastou a nação dos trilhos para priorizar a construção de rodovias. Gastava-se muito tempo para fazer ferrovias, demora que não atendia o desejo de JK em levar o País a "crescer 50 anos em cinco". Claro que no decorrer das décadas, a pressão do setor de rodovias e os subsídios do governo para instalação de montadoras exerceram influência. O resultado é que esses mais de 60 anos de incentivo ao transporte por carros e caminhões impactaram no Custo Brasil. O trem leva apenas 30% da produção nacional e para a nossa economia ganhar competitividade, ele precisaria carregar muito mais.
Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), nos Estados Unidos, a densidade ferroviária é praticamente nove vezes maior que a brasileira (32 contra 3,6). A medida representa a relação entre um quilômetro de trilho por mil quilômetros de território. Outro grande concorrente brasileira na produção de grãos, a Argentina tem uma densidade ferroviária 3,5 vezes maior (13,5 contra 3,6).
Não é de hoje que o Brasil fala em aumentar o transporte de carga por ferrovias. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já pregava isso desde o seu primeiro mandato. Mas pouco se evoluiu. No Paraná, a situação é ainda mais complicada porque a participação do transporte ferroviário diminuiu em 2014, segundo apontou uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Conforme o estudo, o volume de cargas transportadas sobre trilhos do interior para o Porto de Paranaguá diminuiu cerca de 5% na comparação com os três anos anteriores. No ano passado, o trem levou 46 milhões de toneladas úteis para Paranaguá, contra uma média de 48,5 milhões de toneladas úteis por ano de 2011 a 2013. No Paraná, os trens de carga levam principalmente açúcar, soja, milho, farelo de soja, óleo diesel, álcool, contêineres, cimento acondicionado, cloreto de potássio, gasolina e calcário corretivo.
O transporte por trilhos possui muitas vantagens. O trem tem mais capacidade para carregar cargas e passageiros. Além disso, existem os benefícios ambientais. Segundo cálculo feito pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, um trem de carga com 100 vagões tira das estradas cerca de 357 caminhões. Isso significa menos poluição e menos acidentes. Tanto quanto em 1950, o Brasil também precisa crescer economicamente e retomar o desenvolvimento. Mas, hoje, não se pode pensar em crescimento priorizando apenas um sistema de transporte.





