É inquestionável que a cidade de Londrina tem sentido com preocupação os efeitos do desenvolvimento, entre outros motivos, pelo acelerado crescimento populacional e pela ocupação do solo. É inquestionável também que, em decorrência, o sistema viário, tanto quanto o transporte coletivo, agrava de um lado e expande de outro estas relações na sua razão direta. E são vinculantes. Resulta desta breve análise o crescimento dos níveis de congestionamento viário de Londrina, necessidades por infra-estrutura, além da superlotação dos ônibus. Este último, que queremos abordar, provoca aumento nos tempos de percurso, aumento da frota necessária e elevação dos custos de transporte.
Para uma crise previsível, o remédio é o planejamento global, permitindo o indicativo de novas soluções, a projeção para o futuro, a otimização operacional e a minimização de custos. Em que pese a boa cobertura espacial do transporte coletivo, existem atualmente em nossa cidade corredores com excessiva superposição de linhas, gerando, nos chamados horários de vale, uma baixa ocupação e, consequentemente, uma redução da eficiência do sistema. Exceção seja feita na região norte da cidade, onde já existe implantado um subsistema denominado tronco-alimentador. No entanto, nem sempre se alteram ou criam precariamente novas linhas remendando, por assim dizer, o sistema. É preciso mais, principalmente pelos efeitos da expansão físico-territorial, advinda dos loteamentos populares e conjuntos habitacionais da última década, motivando historicamente a criação de linhas chamadas radiais. Ressalte-se a existência em nossa cidade de um único terminal central, com 52 linhas alocadas, e apenas quatro terminais de bairro, fazendo com que a grande maioria dos deslocamentos interbairros tenham que passar pelo centro.
Em persistindo este modelo, sem uma nova configuração do transporte coletivo, a saturação a curto prazo é fatal. Não se alteram alguns pilares de uma edificação sem analisar as implicações gerais deste gesto. Assim como na estabilidade das construções, o transporte coletivo é interligado e dinâmico. Carece, portanto, de um dimensionamento racional, ajustado à distribuição da demanda, além de modificações estruturais nas concentrações de linhas em determinados corredores, substituindo-as por modelos compatíveis com o porte e a característica espacial da cidade.
Os intensos estudos gerados este ano pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), com a formulação de um novo Plano Operacional de Transporte Coletivo, apontam para a adoção de um modelo tronco-alimentador em rede adequado à população usuária, além de inúmeras inovações técnicas com a construção de dez novos terminais de bairro. O Plano Operacional está pronto e não foi ainda colocado em operação porque razões alheias à vontade política da Administração assim o determinam. Dentre tantas, as seguidas liminares, conseguidas na Justiça pela única concessionária que explora este serviço urbano.
A cidade e a sua população sofrida, que poderia estar se beneficiando do sistema racional implantado, sofre as consequências. No entanto, a conjuntura, as peculiaridades e as características físicas atuais da cidade permitem afirmar que o momento é agora para implantar este plano, com um salto qualitativo do transporte coletivo. Caso contrário, temos exemplos de sobra em nossa cidade - o tempo e a complexidade agravada, serão os senhores da razão.
- ALEXANDRE CORDEIRO é engenheiro civil e diretor presidente da Comurb.

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