O transporte coletivo é um dos assuntos mais debatidos em Londrina há meses. Reajuste da tarifa provoca discussões e dividem opiniões. Já cogitaram a possibilidade de aumentar e até de reduzir o preço cobrado - que permanece em R$ 2 há mais de três anos. Para Gustavo Fruet, deputado federal pelo PSDB e doutor em direito das relações sociais, não adianta simplesmente aumentar o preço e correr o risco de afastar o usuário. Durante entrevista ele discute a superlotação dos ônibus e a utilização de transportes alternativos como kombis e vans.

Como o senhor avalia o transporte coletivo no Brasil?
O sistema está próximo do colapso. É uma bomba relógio. Não adianta simplesmente aumentar o preço da tarifa. É um círculo vicioso, pois aumenta a tarifa e diminiu o número de usuários ou a qualidade do serviço. É difícil uma cidade que não esteja com o sistema operando próximo do limite.

E o que fazer diante dessa realidade?
Investimento em infraestrutura é demorado e muito caro. Há regiões com condições para transporte sobre trilho ou metrô. Outras têm uma sobrevida com o transporte atual, porém isso vai demandar investimento no sistema viário que também é muito caro. O PAC (Programa da Aceleração do Crescimento) é uma demonstração de que mesmo com projetos ambiciosos o ritmo não é o programado e o desejado.

O senhor acredita ser possível tornar a tarifa mais barata. De qual forma?
Não adianta simplesmente aumentar o preço porque ou vai diminuir o número de veículos em operação ou vai ficar em um custo inviável. Temos que fazer a conta de um usuário que utiliza o transporte pelo menos 21 dias durante o mês. Isso tem um peso.
De modo geral o sistema é operado por empresas privadas. A composição da tarifa tem um enorme cunho social. A injustiça acontece porque quem mora mais longe - até por problemas de renda - paga mais caro. Aumentar a tarifa simplesmente não adianta porque afasta o usuário. É preciso trabalhar com a redução de alguns insumos como o diesel. O diesel, que varia de município para município, pode representar até 20% do preço final da tarifa. Estamos propondo a redução da carga tributária ou o subsídio do Governo federal sobre o diesel por meio da Petrobras. Há outras propostas que envolvem outros insumos.
As planilhas variam de município para município. Existe uma equação que diz respeito ao número de transportados, os horários de pico, as distâncias percorridas, o número de empresas, se o transporte é integrado. Isso tudo vai pesando. Os insumos estão aumentando, de modo geral, acima da inflação. Os insumos são o tempo de vida útil do veículo, a mão de obra que deve ser cada vez mais qualificada, o custo dos terminais e dos equipamentos.

A lotação excessiva é um problema enfrentado em Londrina. Quais as alternativas para resolver o problema?
Ampliar o atendimento do sistema e aí tem que partir para a trasparência na tarifa. Houve uma época que esse era um assunto que não gerava tanta polêmica. No início, de modo geral, não existia a ideia da licitação e essa visão do serviço público, mas a realidade mudou e é necessário profissionalizar. Isso sempre vai ser um dilema. Ampliar o sistema gera uma pressão sobre as empresas locais em um país com um financiamento que é muito caro. Outro problema que está ocorrendo em grandes municípios é o crescimento do transporte clandestino.

E o que o senhor acha da utilização de transportes alternativos como kombis e vans?
Isso acontece onde o transporte coletivo é de má qualidade. Normalmente isso acontece à margem da fiscalização e do controle do poder público. O risco do transporte alternativo é a insegurança para os usuários.

O que fazer para melhorar a qualidade do transporte coletivo no Paraná?
As grandes cidades passam por um momento crítico. Seria exagerado avaliar como positivo. Há bons exemplos, melhorou em algumas regiões, mas deve-se ter esse ponto crítico. Essas mudanças passam por essa soma de fatores. Algumas medidas pontuais precisam ser adotadas e nós defendemos a redução da carga tributária, principalmente do preço do diesel. Não é possível enfrentar o problema sem planejamento adequado.

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