A informação é o melhor caminho para a conscientização. Dados da Central de Transplantes do Paraná mostram que aumentou 11,7% a quantidade de procedimentos realizados no primeiro trimestre. O número saltou de 94 para 105. No Brasil, o número de transplantes também tem aumentado anualmente. Em 2002, quando foi iniciada a política nacional, que definiu as diretrizes e ações dos trabalhos, foram realizados 11.365 procedimentos de órgãos e tecidos. No ano passado, esse número foi de 45.948, um aumento superior a 400% em dez anos.
O crescimento é atribuído à realização de um trabalho conjunto, a partir de investimentos nas equipes responsáveis pela coleta e a identificação mais rápida das mortes encefálicas. Desta forma, amplia-se o número de doadores. Outro ponto levantado é que a sociedade está mais informada sobre o assunto. Há dez anos, a doação de órgãos era cercada por muitos mitos, que foram derrubados ao longo do tempo. Esse fator demonstra uma certa maturidade da população, que soube reconhecer a importância da doação de órgãos.
Dependem desse gesto milhares de pessoas que chegam a aguardar um órgão por vários anos. Embora seja difícil aceitar que "para alguém viver, um outro tem que morrer", como afirma Edmilson Andrade, que recebeu um coração no ano passado, na maioria dos casos, o transplante é a única chance de cura. Andrade é entrevistado em uma matéria sobre o assunto, publicada na edição de hoje do caderno Cidades.
Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo a realizar transplantes de órgãos (sem considerar células e tecidos). O primeiro são os Estados Unidos. No entanto, o número ainda é avaliado como pequeno, devido ao número de habitantes. A meta do governo federal é atingir a média de 15 doadores por milhão de habitantes até 2015. No ano passado, esse número chegou a 12.
Por isso, é importante que as campanhas não sejam interrompidas. Somente a conscientização da população é que fará os números de transplantes aumentarem ainda mais.

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