O caso recente da atriz Drica Moraes, que foi submetida a um transplante de medula óssea por estar com leucemia (câncer que afeta os glóbulos brancos do sangue), chamou a atenção de todo o País para a importância da doação. A cirurgia é indicada em diversos casos de doença no sangue. O maior problema enfrentado pelos pacientes, no entanto, é encontrar um doador compatível.
No Brasil, o número de potenciais cadastrados é ''significativo''. Mas, de acordo com o José Zanis Neto, chefe do serviço de transplante de medula óssea da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a quantidade é insuficiente em comparação com a demanda. De acordo com o Ministério da Saúde, o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula (Redome) conta atualmente com 1,6 milhão de doadores cadastrados, ficando atrás somente dos Estados Unidos e da Alemanha. No ano passado, foram realizados 1.531 transplantes em todo o território nacional.
Qual a melhor forma de estimular a doação de medula óssea?
É preciso se conscientizar que a doação de medula óssea é tão importante quanto a doação de sangue. O Brasil já conta com 1,3 milhão de doadores voluntários. É um número significativo, mas ainda é pouco para o tanto que precisamos. É preciso sensibilizar mais a população. Para tanto, a mídia deve divulgar mais a necessidade que temos, mostrando que o cadastro é fácil.
E como se cadastrar?
O doador deverá procurar um Hemocentro e fazer a coleta de uma amostra de sangue (5ml) para a tipagem de HLA (características genéticas essenciais para a seleção de um doador). Esse teste fica cadastrado em uma central e, quando necessário, são comparados para localizar se existe alguém compatível.
Por que é tão difícil encontrar alguém compatível?
A probabilidade de uma pessoa ser compatível a outra é de uma para vinte mil. O primeiro lugar que a gente procura um doador é na família. A chance de um irmão ser compatível ao outro é de 25%. Caso não encontramos na família, procuramos no banco nacional, e quando não encontramos tentamos no exterior. Existem 30 milhões de pessoas cadastradas em todo o planeta. A chance de encontrar um doador na população internacional é de quase 90%. O tempo de espera por uma medula compatível no Brasil é de três a quatro meses. Às vezes é preciso até seis meses para viabilizar um doador a nível internacional.
Mas, dependendo da situação do paciente, esperar seis meses é muito tempo, não é?
Depende da doença. Em alguns casos fazemos o transplante com um doador não totalmente compatível porque a pessoa pode não suportar esperar. É possível fazer o transplante com 80% ou 90% de compatibilidade.
E ao encontrar um doador compatível, de que forma acontece a doação?
É um processo simples. Primeiramente o doador passa por uma avaliação médica para verificar se ele não tem nenhuma doença. Após os exames, se nada for constatado, o doador é submetido a uma anestesia e dois médicos hematologistas colhem o líquido no osso da bacia por meio de pulsões com uma agulha própria. O paciente fica um dia internado por causa da anestesia. A medula óssea se refaz em uma semana. A pessoa pode doar muitas vezes.
O governo investe o suficiente nessa área?
Infelizmente falta investimento. A maioria dos hospitais que fazem transplante de medula óssea no país é pública. Precisamos de mais apoio do governo para liberar verba.
Serviço
Interessados em se cadastrar como doador de medula óssea, em Curitiba, podem procurar o Hemepar (41-3281-4000); o Hemobanco (41-3023-5545), o Biobanco do Hospital das Clínicas (41-3360-1875) ou o Hospital Erasto Gaertner (41-3361-5038). Em Londrina, o local de coleta é o Hemocentro Regional (43-3371-2356).

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