Transparência sem corporativismo no 5º BPM
A notícia dos policiais militares presos por extorsão, em Londrina, é um fato isolado, embora não seja o único. Não macula o 5º Batalhão da Polícia Militar e não deslustra o trabalho que a corporação realiza. Antes, destaca um fato relevante: a ação imediata dos próprios PMs em prender os companheiros, a transparência ao não ocultar isto do conhecimento público e a ausência do corporativismo. O exemplo deveria servir a muitos administradores públicos, aí compreendidos os detentores de funções executivas e os parlamentares e, por extensão, membros da Justiça e das demais instituições.
Porque, sobretudo no universo político, os blocos se fecham e se autoprotegem quando escândalos irrompem em seu meio, e temos no momento a amostragem do que ocorre no Senado, com a maioria dos pares tudo fazendo para preservar o presidente da Casa, envolto em denúncia de corrupção. É lamentável o caso dos dois PMs de Londrina, acusados de extorquir dinheiro de uma estudante, ademais menor de idade. Mas por ordem do comando, após receber a denúncia, eles foram presos e o fato não foi ocultado. Significando que não houve favorecimento a companheiros de farda se eles foram flagrados em delito.
O próprio comandante do 5º BPM, Luiz Carlos Deliberador, propiciou o flagrante da nova extorsão que ocorreria, pelo aviso do advogado da vítima. Foi isto que possibilitou o flagrante. Se a corrupção no meio oficial brasileiro já se converteu em nefasta cultura, a prisão e enquadramento dos culpados, como no caso dos PMs, é um grande passo para a restauração da moralidade. Tal ocorreu por ação interna do próprio sistema, sem ocultação. Fosse assim nos parlamentos, no âmbito dos poderes executivos e em todos os órgãos públicos, os corruptos hoje existentes, e os potenciais, não se sentiriam tão livres para cometer suas trapaças.
A busca de encobrimento dos fatos - que mais adiante acabam chegando ao conhecimento da população - é que denigre a imagem das instituições e não a pronta admissão da verdade, a revelação ao povo e as medidas repressivas e punidoras. Os que ocultam, tornam-se cúmplices, e ao cooperar por meio do abafamento dos casos favorecem que os mesmos acontecimentos se repitam. É isto que tem acontecido no ambiente do poder público deste país, e os fatos chegam à tona por denúncias externas. As medidas de purificação do sistema público deveriam emergir do próprio meio, mas geralmente tal acontece quando as improbidades chegam à exaustão e não há mais como escondê-las. No caso específico dos PMs denunciados e presos, cumpre ressaltar que se a Polícia Militar tem seus focos de impureza, também realiza operações de faxina. O expurgo dos desajustados, como se prenuncia no presente episódio, é uma medida saneadora que, ao contrário de denegrir, exalta a corporação.





