A Associação Comercial do Paraná iniciou o movimento ‘‘Transparência Paranᒒ, com entidades e lideranças de várias áreas, para tratar de um assunto que interessa, de perto, a toda população do Paraná: a privatização da nossa maior empresa, a Copel. Outras personalidades, paranaenses ou não, estarão conosco participando desse amplo debate que consideramos de importância vital para o futuro do Paraná.
Muitos me perguntam qual a razão de trazermos para dentro da Associação Comercial a discussão sobre a privatização de uma empresa estatal. Nossa razão é apenas uma, de simplicidade absoluta. A empresa é a Copel, com uma história de quase 50 anos ligada ao desenvolvimento da economia paranaense. Na verdade, é mais do que razão, é um dever de cidadania paranaense.
Foi esse dever de cidadão que levou a ACP a colocar em discussão a privatização do Banestado, em setembro desse ano. Depois, a ouvir as propostas de todos os candidatos a prefeito de Curitiba e, há dois meses, lançar a campanha ‘‘Comércio Com Segurança’’. Esse é um dever estabelecido no planejamento estratégico desta gestão, baseado, por sua vez, numa pesquisa junto aos associados. Essa pesquisa detectou que a grande maioria dos comerciantes, profissionais liberais, pequenas indústrias e lojistas quer uma associação forte, apartidária e, principalmente, independente em sintonia com os tempos em que vivemos.
A participação nos assuntos de Estado, a opinião formada sobre líderes de todas as áreas, o conhecimento da atuação dessas lideranças já fazem parte do cotidiano do nossos associados. Cidadãos empenhados em mudar e desenvolver não só as próprias condições de vida mas, também, lutar para melhorar o bairro, a cidade, o Estado e o País. E é essa nova cidadania que nos levou agora, a lançar o movimento ‘‘Transparência Paranᒒ.
É bom que se esclareça: a Associação Comercial do Paraná não é contra a privatização da Copel. Mas considera que é a sociedade paranaense que não pode – e não quer – apenas observar de longe, enquanto se negocia a venda da nossa maior empresa. Os dados fornecidos, até agora, para a opinião pública, sobre o resgate das ações que estão em poder do Banco Itaú, carecem de aprofundamento. No próximo dia 31 expira o prazo para este resgate. Estamos, portanto, na data limite para que se conheçam os detalhes das negociações entre o governo estadual e o banco.
Num encontro recente, quando a associação teve a honra de contar com a presença dos ex-governadores Jaime Canet Junior e Emílio Gomes, do senador Osmar Dias e outras lideranças paranaenses, ficou estabelecido que é preciso que as autoridades estaduais responsáveis pela condução da Copel venham a público falar sobre assunto de tamanha gravidade. O presidente da empresa, Ingo Hubert, secretário da Fazenda, que em outra ocasião também nos deu a honra de sua visita, fez uma longa explanação sobre o assunto para os dirigentes da Casa e recebeu bem a proposta da transparência proposta pela ACP. Acredita ele que, através da participação de entidades civis organizadas, o próprio governo conseguirá convencer os paranaenses que a venda da Copel trará dividendos ao Estado.
Lideranças, empresários e políticos querem se unir em busca de um ponto comum no sentido de levar a sociedade paranaense a acompanhar e participar desse processo. A prova disso está nas inúmeras manifestações que estamos recebendo depois que iniciamos o movimento pela Transparência. Buscarmos lideranças de várias áreas e partidos, com opiniões até divergentes, mas um único objetivo: a defesa dos interesses do Paraná.
É um movimento apartidário, amplo e democrático. A Casa abre suas portas para que todos se manifestem. E espera que, a partir de hoje, a transparência seja uma característica do processo de privatização da Copel, com a participação de representantes de entidades civis, parlamentares e especialistas.
Ampliar a discussão é a condição essencial para que os paranaenses formem sua opinião sobre o assunto. É um direito de todos. Na condição de presidente da Associação Comercial do Paraná, procurei ouvir a diretoria e os conselhos sobre a melhor atitude a tomar diante de nossos associados – que são 7,5 mil e reúnem 250 mil trabalhadores na região de Curitiba – que vinham solicitando uma manifestação da casa sobre a privatização da Copel.
Que se pode fazer, afinal, em tempos como esses? Como fazer frente a estas situações que se apresentam? A resposta veio rápida e sem rodeios: ‘‘O exercício democrático é nossa única esperança.’’
- MARCOS DOMAKOSKI é presidente da Associação Comercial do Paraná, em Curitiba

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