Quase metade das doações recebidas pelos candidatos à Prefeitura de Londrina são de doadores ocultos, aqueles cujos nomes ainda não foram divulgados pelos partidos. A informação é baseada na segunda etapa da prestação parcial de contas declarada à Justiça Eleitoral pelos seis candidatos a prefeito. No total, foram arrecadados até agora R$ 871.464,19, sendo que R$ 435.122,12 (49,93%) vieram de comitês locais ou pela direção estadual ou nacional de partidos políticos.
A Justiça Eleitoral obriga a identificação dos doadores, mas apenas na terceira e última prestação de contas com prazo para ser entregue depois do término das eleições. O juiz da 41 Zona Eleitoral de Londrina, Álvaro Rodrigues Júnior, assinou uma portaria que obrigava os comitês a divulgarem na internet, no início deste mês, todos os nomes de doadores, sob o risco de inelegibilidade. Mas a portaria foi revogada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) porque estaria em confronto com a Lei nacional.
Eleição com transparência é o que Brasil precisa. A identificação dos doadores é fundamental para que o eleitor forme uma opinião a respeito do seu candidato. Muitos analistas políticos acham preocupante a presença de grandes grupos econômicos entre os maiores doadores de campanha.
É difícil saber porque um doador quer se manter anônimo, principalmente quando se trata de uma empresa, mas há vários indicativos. Pode significar que o doador não quer ter seu nome vinculado ao candidato, mas pode estar de olho em algum benefício pós-pleito. Há também pessoas que financiam várias campanhas. Mesmo de políticos concorrentes, pois desejam estar bem com quem vencer as eleições.
O problema da lei que determinou duas prestações de contas antecipadas e uma prestação pós-eleição é que ela dificulta o acompanhamento das doações por parte da sociedade. Se as maiores quantias de dinheiro entrarem no caixa dos comitês na reta final, o cidadão só saberá depois do pleito.

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