A conclusão da maioria das pesquisas que investiga a ocorrência de acidentes de trânsito é quase sempre a mesma: imprudência dos motoristas, como excesso de velocidade, embriaguez ao volante, manobras perigosas e falta de experiência. As estatísticas reforçam a falta de educação - e de consciência - no trânsito dos brasileiros que, independentemente das condições de conservação das ruas e rodovias, dirigem em alta velocidade e sem respeito às leis de trânsito.
Pesquisa divulgada em novembro do ano passado pela Fundação Dom Cabral revela que a BR-476 (entre o km 101 e 150) concentra a maior média de acidentes com mortos dentre todas as rodovias brasileiras. Em 2005, de cada mil veículos que trafegavam na via foi registrada média de 116,39 acidentes com feridos, que resultaram em 4,34 mortes. Em 2009, o número de ocorrências caiu para 86,15, mas as mortes aumentaram, atingindo média de 5,75.
Os números do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) reforçam a tese que aponta para a imprudência dos motoristas. Estatísticas não consolidadas indicam que no ano passado foram aplicadas cerca de 3 milhões de multas. Ao todo a frota estadual é de 5.426.699 veículos (entre automóveis, motocicletas, caminhões, tratores, entre outros). É como se fossem aplicadas mais de 8,2 mil multas por dia no Estado, um número demasiadamente alto.
Além disso, em 2010 70,6 mil motoristas tiveram suas carteiras de motoristas suspensas, volume 44% maior do que o registrado em 2009. Daquele total, 42,3 mil foram de forma direta (20 pontos) e 28,4 mil por infrações gravíssimas, como dirigir alcoolizado, conduzir moto sem capacete ou transitar em velocidade 50% acima da permitida. É claro que a aplicação de multas ajuda na redução de infrações registradas, mas também é certo que apenas a fiscalização não resolve.
É preciso investir em campanhas de conscientização e de educação no trânsito. As crianças são agentes multiplicadores e conseguem fazer com que seus pais fiquem mais atentos ao cumprimento da lei. No entanto, é preciso melhorar as campanhas, no sentido de atingir também jovens e adultos. Muitos dos acidentes são ocasionados porque não há a consciência de que o álcool limita os reflexos. A punição tem que ser eficaz, assim como a comunicação com os motoristas.

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