Não é segredo que os acidentes de trânsito matam no mundo inteiro mais pessoas que os conflitos ou catástrofes ambientais. Ingestão de bebida alcoólicas antes de dirigir, desobediência à sinalização e ultrapassagem em local proibido são alguns exemplos de infrações. No Brasil, o excesso de velocidade é um dos mais comuns, considerado uma das principais causas de acidentes. Em Londrina, não é diferente e ultrapassar o limite de velocidade é a principal infração na cidade. Somente entre janeiro e maio de 2019, foram 26.894 multas.

Na sequência, aparecem o avanço de sinal vermelho, com 5.707 ocorrências registradas no período. Transitar sem o uso do cinto de segurança gerou 3.937 multas, enquanto dirigir o veículo manuseando o telefone celular resultou em 2.704 ocorrências de janeiro a maio deste ano. Esses números são mostrados nesta quarta-feira (12) em reportagem da FOLHA que leva em conta dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização.

O trânsito é notícia recorrente na imprensa brasileira nos últimos dias não apenas por conta de acidentes violentos, mas devido a duas propostas do presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, o governo federal anunciou que vai rever o Plano Nacional de Segurança do Trânsito, o Pnatrans, um programa sancionado em janeiro de 2018. Ainda não há detalhes da proposta, mas o Departamento Nacional de Trânsito afirmou que a revisão se dará por “realinhamento de metas” - a principal meta é justamente reduzir em 50% o total de mortes no trânsito até o final da próxima década. A segunda proposta foi apresentada no final de maio, quando Bolsonaro entregou ao Congresso projeto de lei que afrouxa as regras do Código de Trânsito Brasileiro, que completou 21 anos em 2018.

Rever metas e mudar as regras de trânsito não é um problema, principalmente porque nessas duas décadas de vida o CTB mostrou que não foi suficiente para diminuir consideravelmente a violência nas ruas e estradas e nem tirar o Brasil da incômoda posição de um dos cinco países que mais registram mortes no trânsito, atrás da Índia, China, Estados Unidos e Rússia.

Mas as alterações devem ter como objetivo melhorar a segurança. Para tirar o País desse ranking vergonhoso, a mudança tem que começar nas cidades, onde os motoristas têm a oportunidade de exercitar todos os dias a boa educação, a empatia e o respeito à vida dele e do próximo. Conscientizar os cerca de 28 mil londrinenses que desrespeitaram o limite máximo de velocidade parece um bom começo.

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