Uma boa notícia é que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), em Londrina, planeja realizar obras para melhorar o tráfego, começando por dez cruzamentos identificados como problemáticos. Paralelamente, anuncia a criação de uma Comissão Permanente de Educação de Trânsito, cuja finalidade é promover a conscientização dos motoristas, que são lentos ou velozes demais, ou imprudentes, com atenção especial para os motociclistas que abusam da velocidade e das manobras que fazem. Calcula-se que, nos dias comuns e no horário de expediente, estejam em circulação pelas ruas de Londrina 100 mil veículos, de um total existente de quase o dobro. Isto remete para a necessidade de um olhar mais atento para a questão viária, por isso as obras da CMTU não podem circunscrever-se apenas ao anunciado. Implantar rotatórias em cruzamentos que as permitam é uma das mais eficazes soluções, pois elas dispensam semáforos e agilizam o fluxo. O exemplo das existentes o comprova. Será preciso mudar sistemas, retirar alguns semáforos, sincronizar os restantes porque o que existe é apenas uma sincronia fragmentada. A mistura de semáforos de sete tempos com os de três é outra anomalia. Ademais, não se concebe a existência de ''pardais'' onde há semáforos antigos, pois eles geram riscos de freadas bruscas e de colisões. A Comissão de Educação de Trânsito é formada de pessoas do ramo e com certeza competentes, mas será preciso também infra-estrutura instalada que atenda às necessidades logísticas. Pouco adiantará educar apenas o motorista se não se ''educar'' primeiro o modelo viário existente em Londrina. Há muita coisa ainda por fazer, por isso sem desprezo das providências ora anunciadas será necessário amplo estudo que corrija a questão dos semáforos e sua relação com as ruas de escoamento, privilegiando maior tempo do verde; implantação de mais rotatórias e canaletas; sinalização mais intensiva e mais visível; guardas presentes nos pontos de conflito e nos horários de pico; desligamento dos semáforos nesses momentos e controle por comando pessoal, se a ocasião exigir; reestudo do problema de onde estacionar e do sistema dos guardinhas-mirins; regulamentação dos preços dos estacionamentos particulares, de forma a evitar abuso e garantir o seguro do veículo guardado; implantação de eventual estacionamentos em diagonal, para comportar mais veículos e facilitar manobras; estacionamento em ambos os lados da rua, onde possível; colocação de placas com o nome das ruas em todas as esquinas, nos bairros, para facilitar a localização; alteraração de sentidos de tráfego; exigência de os estabelecimentos comerciais e residenciais colocarem o número do prédio em local bem visível (inclusive de noite) e em maior tamanho, para dar facilidade ao motorista que procura; ampla sinalização nas entradas da cidade, para facilitar os que vêm de fora, assim como no sentido inverso (indicando os caminhos de saída); eventual permissão para ciclistas trafegarem pela calçada (naturalmente segundo rígidas normas), pois eles estão morrendo atropelados pelos veículos maiores; eliminação do abuso dos que demarcam faixa exclusiva de estacionamento defronte de sua casa comercial ou escritório; policiamento contra escapamentos super-abertos e som alto nos carros; colocação de luz semafórica intermitente nas ruas de grande movimento em horários específicos, e por aí em diante. Enfim, tornar a cidade mais fácil. Se o poder público fizer primeiro a sua parte, a educação dos motoristas ocorrerá mais facilmente.

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