A reportagem do jornalista Wilhan Santin, publicada ontem neste Jornal, demonstra a pouca solidariedade dos motoristas, em Londrina, e a falta de semáforos para os pedestres. Mas não apenas isto e também a baixa urbanidade das pessoas, que parecem estar com pressa demais e vão deixando de lado a gentileza. Na questão do trânsito de veículos e da ocupação de espaços para eles, até vagas de estacionamento destinadas a deficientes são ocupadas indevidamente. No principal shopping da cidade foi preciso colocar correntes nos lugares demarcados para essas vagas, e a cada necessidade de estacionar será preciso chamar um segurança da área.
Nas ruas, onde cabem dois veículos estacionados, há os que chegam e colocam o carro no meio do espaço, tomando o lugar do outro. Esta é uma prática comum e demonstra sobretudo egoísmo, numa cidade com quase 250 mil veículos automotores, que, cada vez mais - porque o número deles aumenta aceleradamente - encontram menos vagas para estacionar. As caçambas coletoras de entulhos são outro empecilho, pois além de não pagarem Zona Azul ficam paradas vários dias no local, além do mais mostrando o feio aspecto de suas cargas. No ônibus, conforme o repórter constatou, jovens sentados fingem estar dormindo e não cedem lugar aos idosos e até a pessoas com problemas físicos.
Uma constatação, que já vem desde os tempos em que não havia necessidade de sinaleiros - porque os veículos eram poucos, tanto que grandes edifícios eram construídos sem garagens - é que não há semáforos para pedestres em Londrina, a não ser um ou dois, que existem aparentemente apenas para testemunhar como eles são necessários. O pedestre não tem vez no trânsito, conforme se sabe e como o fotógrafo mostra na reportagem da FOLHA. Porque, quando os veículos param numa confluência, ou outros avançam, e o pedestre fica esperando ou arrisca ser atropelado. Esta realidade é evidente e já causou muitos sustos, correrias e atropelamentos, mas não chegaram a sensibilizar os encarregados de cuidar da infra-estrutura do tráfego. A existência da faixa de pedestres não resolve se falta o apoio do sinal correspondente para parar os veículos.
O caso dos motociclistas é um capítulo à parte, e o enorme volume de imprudências e acidentes, com aleijamentos e mortes - quase uma rotina diária em Londrina - mostra que é um problema de difícil solução. No mais, sinaleiros mal sincronizados entre si, ou a falta deles, emperram o fluxo, que seria ordenado e mais seguro se fosse feita uma revisão geral no sistema. Cada vez mais o londrinense quer andar em carro próprio (e nunca se vendeu tantos veículos quanto agora), abandonando o transporte coletivo. O automóvel tomou conta das ruas, em Londrina, mas a solidariedade da maioria de seus condutores e o setor pertinente do poder público não acompanharam esse compasso.

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